Vamos ficar surprendidos e vamos perceber porque não deu notícias desde 2003 com ‘Na Alma e Na Pele’. Ou melhor: em que não mostrou aquilo em que trabalhava, mantendo, no entanto, o ritmo e o calor dos seus espectáculos e abrindo espaço a uma parceria – gravada e publicada – que deu muito que falar e ainda mais que ouvir, com João Pedro Pais, o disco ‘Lado A Lado’. Ao mesmo tempo, Mafalda foi juntando as peças para este regresso em pleno e, quando se ouve ‘Chão’, ganha-se a certeza que temos um exito nas mãos! ‘Chão’ estreia um novo produtor na carreira de Mafalda – depois de trabalhar com Manuel Faria, José Sarmento, Manuel Paulo e Rui Costa, chamou Miguel Ferreira (membro e fundador dos Clã) para o papel. Quando se ouvir (com a calma e o tempo que reclama) este ‘Chão’ fértil, perceber-se-á como, por mérito conjunto da inspiração, da transpiração (há muito trabalho, aqui), da identidade e da mudança, os 40 anos de idade e os 20 de carreira parecem abençoar Mafalda Veiga. Variado mas coerente, encantador mas vibrante, respeitador mas capaz de rupturas, mágico na forma como simultaneamente personaliza e universaliza cada questão – ou canção – este é, com vantagem, o melhor disco do percurso de Mafalda. E, acreditem, vai mesmo chegar a todos! |