Bem-estar e Lifestyle

A paixão do vinho, cinema e música

BlogFNAC3
Por BlogFNAC3
Em 25/09/2020
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A paixão do vinho, cinema e música

Setembro é a época tradicional das vindimas e do regresso a casa depois das férias. A altura ideal para ver um filme ou ouvir música, acompanhados de preferência por um bom copo de vinho. Uma longa relação que não passa de moda, um match feito no céu.


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O que tem em comum?

 

São poucas as bebidas alcoólicas que se podem gabar de ter uma reputação que se equipare ao vinho. É provavelmente a bebida mais consumida em momentos de convívio e descontração e aquela que mais facilmente associamos a ambientes urbanos e sofisticados.

Só que nem sempre foi assim.

Até aos anos 70, pareciam existir apenas dois tipos de vinho: os de qualidade, geralmente franceses e para bolsos ricos, e os carrascões, consumidos pelos camponeses e pelas classes trabalhadoras. Pode parecer mentira, mas o consumo de vinho, tal como o conhecemos hoje, só explodiu no início dos anos 90.

 

 

E se o vinho fosse a personagem principal?

 

Citando o escritor norte-americano Clifton Fadiman, “levar um bom vinho à boca é como saborear uma gota do rio da história humana”. Em 7 mil anos de história, o vinho está carregado de simbologia e faz parte da cultura popular, sendo uma presença constante, hoje, em filmes, séries de TV e música.

Nas histórias do grande e pequeno-ecrã, os taninos costumam ser boa companhia: celebram cenas de vitória, animam eventos sociais, ajudam as personagens a relaxar ou intensificam a paixão. Nunca falha. Afinal, o vinho tem o mesmo papel na ficção que na vida real.

No ecrã, são muitas as associações imediatas que fazemos. Que seria de Hannibal Lecter sem o seu Chianti, a acompanhar um bom fígado? Ou Tyrion Lannister, de Guerra dos Tronos, sem a sua taça de vinho, embriagado em metade das suas conversas? Ou Penny Hofstadter, de The Big Bang Theory, a loira menos inteligente do grupo de nerds, sem o seu hobby de beber vinho? Ou Olivia Pope, de Scandal, que resolve todos os seus problemas graças aos poderes calmantes de um bom copo de tinto?

 

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Esta série, em particular, foi responsável pelo aumento de notoriedade do vinho nos Estados Unidos. Havia grupos de milhares de pessoas no Twitter que se ligavam ao mesmo tempo para ver a série, enquanto bebiam uma taça de vinho, no mesmo tipo de copo em que bebia Olivia Pope. Enquanto a série durou, a marca de copos quadruplicou as vendas. E até houve um termo criado para os casacos que a personagem usava: wine cardigans. A série já terminou, mas a expressão ficou.

 

 

Sideways e Wine Country

 

No cinema, há filmes oriundos das mais variadas geografias em que o vinho tem um desempenho fundamental: Festa de Babette, Casablanca, Sob o Sol da Toscana, O Jantar, Conto de Outono, Ratatouille, Sangue e Vinho, O Silêncio dos Inocentes, Julie e Julia ou Meia Noite em Paris (onde uma das personagens tem a tirada genial: “O vinho provoca o desejo, mas impede o desempenho”), são alguns dos muitos exemplos.

Dois dos mais recentes são Sideways e Wine Country. O primeiro, é uma famosa comédia dramática de Alexander Payne, sobre dois amigos numa viagem de degustação de vinhos que serve como despedida de solteiro a um deles. Nele, a câmara instável simula os efeitos da bebida e a pinot noir, considerada pelos vinhateiros como a uva de cultivo mais complicado, é vista como uma metáfora para o amor.

Em Wine Country (Vinho e Vinagre, na versão portuguesa), o primeiro filme de Amy Poehler, a história, também passada na região de Napa Valley (conhecida por produzir vinhos de excelência), segue as aventuras de seis amigas de adolescência, que decidem comemorar o aniversário de 50 anos de uma delas.

 

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“Só quero que sejam umas férias normais. Descansar, conversar, beber vinho e rir… e algures no meio disto passo a ter 50 anos”, diz uma das personagens. O vinho faz parte das nossas maiores celebrações. E se for com cumplicidade, ainda cai melhor. O que pode correr mal? Pouca ou muita coisa. É só lembrarem-se de que o que sai da boca de um bebedor é, provavelmente, o que a pessoa sempre sentiu e que o álcool ajudou a revelar. “In vino veritas”.

 

 

Para cada música, seu vinho

 

O vinho ajuda-nos a soltar a mente e o corpo. Até os prazeres culpados são rapidamente absolvidos e vividos com mais alegria. Depois de uns copos, qualquer pessoa enfrenta o microfone como se fosse o Marco Paulo nos anos 80, ou a pista de dança como se fosse um John Travolta, em Saturday Night Fever

 

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A relação do vinho e da música é já lendária. E até há vários estudos que sugerem que a música tem um papel importante na perceção do sabor pelo nosso cérebro. Na hora de degustar um vinho, a música pode alterar bastante aquilo que achamos dele. Não é à toa que as degustações devem ser feitas em silêncio.

Clark Smith, um enólogo entusiasta da harmonização música e vinho passou vários meses a experimentar 150 vinhos com 250 músicas para encontrar harmonias e discordâncias. De acordo com o seu estudo, os vinhos tintos não gostam de música alegre e preferem um tom mais mais sentimental. Já um Pinot Noir pede música romântica e um Cabernet Sauvignon combina melhor com músicas que destilam angústia.

Os vinhos doces preferem músicas downtempo, preferencialmente tocadas ao piano. Os vinhos mais ácidos caem melhor com músicas ritmadas e com instrumentos metálicos. Os vinhos salgados também gostam deste género, mas preferem o ritmo staccato.

Por outro lado, há teorias que dizem que a música - especialmente a clássica - tem efeitos sobre o vinho durante o processo de fermentação. Dizem que o vinho é mais refinado, por exemplo, quando é fermentado ao som de compositores como Mozart.

 

 

“Red red wine”

 

Há canções que iremos sempre associar ao vinho. Clássicos como Red Red Wine, original de Neil Diamond, tornado famoso pela versão dos UB40, no final dos anos 80; Scenes from an Italian Restaurant, de Billy Joel (“A bottle of white, a bottle of red, perhaps a bottle of rosé instead?”); Killer Queen, dos Queen (“She keeps Moet et Chandon, In her pretty cabinet”); Hotel California, dos Eagles (“Mirrors on the ceiling, the pink champagne on ice”; ou Champagne Supernova, dos Oasis (“Someday you will find me caught beneath the landslide, In a champagne supernova in the sky”. Ou uma das favoritas de toda a gente: Lilac Wine, música de Nina Simone, que ganhou outra versão fabulosa por Jeff Buckley (“Lilac wine is sweet and heady, like my love”). Ou, já agora, o one hit wonder português Paulo Alexandre, com o clássico Verde Vinho (“Vamos brindar com vinho verde que é do meu Portugal”).

 

 

No final, o importante é nunca esquecer o que vem inscrito na Bíblia: “O vinho, bebido moderadamente, é a alegria da alma e do coração. A sobriedade no beber é a saúde da alma e do corpo”. Tchim-tchim!

 

Eduardo Marino 

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