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Ágata Roquette: “A vida não é só dietas, restrições e refeições estudadas”

BlogFNAC3
Por BlogFNAC3
Em 31/08/2020
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Ágata Roquette: “A vida não é só dietas, restrições e refeições estudadas”

Escreveu o primeiro livro em 2012 e rapidamente se tornou na autora de nutrição que mais vende em Portugal. Ágata Roquette lança agora o seu sétimo livro, O Grande Livro da Alimentação Saudável, com o propósito de mudar o estilo de vida dos portugueses. Uma garfada de cada vez.


Ágata Roquette: “A vida não é só dietas, restrições e refeições estudadas”

Entrevista: Inês Pereira

Fotografia: Charlotte Valade/Contraponto Editores

 

 

O Grande Livro da Alimentação Saudável é já o seu sétimo livro publicado. São as constantes mudanças no mundo da nutrição que a fazem manter-se ativa como escritora?


Sim, senti mesmo essa necessidade. Acho que as coisas mudaram nestes sete anos que separam o meu primeiro livro, A Dieta dos 31 Dias, do último, A Nova Dieta dos 31 Dias. Os meus livros sempre foram mais específicos e senti necessidade de escrever um livro mais completo, sobre alimentação saudável no geral que contemplasse essas mudanças.

Acho que este livro pode ajudar as pessoas a comerem bem para o resto da vida. E se gostarem tanto desde livro como dos anteriores, então o objetivo foi cumprido.

 

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A Ágata já chegou a muitas pessoas. E os mais de 400 mil livros vendidos mostram que o público está a gostar.

 

É verdade. Quando escrevi o primeiro livro, há oito anos, não sabia o que aí vinha. Fi-lo sem expectativa nenhuma, pensando que o ia vender apenas aos meus pacientes.

Não fazia ideia do fenómeno em que os meus livros se iam tornar. Mas comecei a ser reconhecida. E acho que as pessoas gostam da minha escrita porque evito ser muito científica. Escrevo diretamente para o leitor e com o objetivo de todos me entenderem. Tento ser o mais próxima possível e, acima de tudo, não impor grandes restrições.

 

 

No entanto, existe muito aquela ideia de que essas restrições são necessárias para uma alimentação saudável, especialmente se o objetivo for perder peso. O pão é, aliás, a vítima mais comum. Mas é mesmo verdade que existem alimentos proibidos?

 

Eu nunca tiraria o pão de uma dieta. É um dos meus prazeres alimentares e nunca retiraria essa mesma satisfação a um paciente.

Mas sim, existem alimentos que devem ser proibidos. A questão é que uma pessoa não pode achar que entra em dieta e de repente nunca mais é confrontada com um bolo de anos, por exemplo. Claro que o ideal era virar a cara à fatia de bolo, mas sabemos que isso nem sempre é possível.

O importante é não desistir. Se comeu bolo na quarta-feira, a dieta e a alimentação saudável continuam depois no resto dos dias e isso não é um drama.

 

 

O importante é haver um equilíbrio.

 

Exatamente. A vida não é só dietas, restrições e refeições estudadas.

 

 

Nas suas dietas, a Ágata defende, inclusive, que deve haver um “dia da asneira”. Também aplica esta regra a uma alimentação saudável ou é uma norma apenas para os planos de perda de peso?

 

Para mim, uma alimentação saudável é um estilo de vida, tal como vegetarianismo, por exemplo. E quando defino um plano de alimentação que pressupõe um estilo de vida saudável e uma alimentação equilibrada a longo prazo, defendo que ele deve ser cumprido durante cinco dias da semana.

Sábado e domingo são dias livres. Isto não significa que devam ser dias repletos de asneiras. Digamos que podem ser dias de maior relaxamento.

 

 

O vegetarianismo é, aliás, um tema que aborda n’O Grande Livro da Alimentação Saudável. Que alimentos não podem faltar numa dieta vegetariana para que as necessidades nutricionais sejam respeitadas?

 

o-grande-livro-da-alimentaçao-saudavel

 

Leguminosas, frutos secos e vegetais, especialmente os de folha escura, como os espinafres.

Mas aquilo que não pode mesmo faltar é a realização de análises prescritas por um médico. São essenciais para ver os níveis da hemoglobina, do ferro e, sobretudo, da vitamina B12, cuja carência pode provocar anemia. Esta é a vitamina que está presente na carne e noutros alimentos que os vegetarianos não consomem.

 

“Uma pessoa não pode achar que entra em dieta e nunca mais é confrontada com um bolo de anos.”

 

 

Portanto, a alimentação tem um efeito direto na saúde. Significa que há alimentos que melhoram a resposta do nosso corpo a determinadas doenças?

 

Eu acredito que a alimentação influencia bastante a resposta do nosso corpo às mais variadas doenças.

Mas não se trata de alimentos específicos. Se conseguirmos ir buscar vitaminas, sais minerais e outros nutrientes a diferentes alimentos já estamos a melhorar essa resposta. Não se trata de comer mais disto ou daquilo, mas sim de uma alimentação saudável e equilibrada.

 

 

E sente que as pessoas preferem focar-se em alimentos concretos porque têm dificuldade em passar da teoria à prática quando o tema é a alimentação saudável?

 

Sim. E eu sinto necessidade de ser mais prática. Se eu me limitar a apresentar uma roda dos alimentos com uma explicação teórica sobre aquilo que se deve comer não estou a dizer nada aos meus leitores.

 

 

Foi por isso que decidiu incluir planos alimentares genéricos n’O Grande Livro da Alimentação Saudável?

 

Sem dúvida. Eu senti necessidade de ajudar o leitor a perceber de que forma é que aqueles alimentos devem de facto ser distribuídos ao longo de um dia e em que quantidades. Parece-me uma orientação mais completa.

Os planos estão adaptados a necessidades diferentes. Desta forma, as pessoas conseguem perceber melhor as diferenças que existem entre as necessidades nutricionais de cada caso. Seja num caso de perda de peso ou de amamentação, por exemplo.

A dose de determinado alimento que recomendo num plano de alimentação saudável de manutenção não é a mesma que recomendo num plano de emagrecimento. E as pessoas têm alguma dificuldade em compreender isto.

 

 

Um erro muito comum é confiar cegamente nos alimentos cujas embalagens têm escrito coisas como “light” ou “sem adição de açúcares”. Como é que podemos evitar este erro?

 

É muito importante aprender a ler rótulos. O facto de uma embalagem dizer “sem adição de açúcares” pode significar apenas que não tem açúcar branco. Mas depois existem muitos outros açúcares, como a frutose ou o xarope de glucose. E o problema é que o açúcar estimula o consumo de mais açúcar e não suprime o apetite.

 

“Eu acredito que a alimentação influencia bastante a resposta do nosso corpo às mais variadas doenças.”

 

 

Nem só de planos de emagrecimento se fazem as suas consultas. Muitas pessoas procuram exatamente o contrário: aumentar o seu peso. Que adaptações são necessárias para atingir este objetivo?

 

Sim, o que geralmente é até mais complicado do que emagrecer. O processo passa por fazer um plano em que há um maior consumo de calorias, mas sempre através de uma alimentação saudável.

Ao contrário dos planos de emagrecimento, neste caso procuro que as pessoas comam refeições mais compostas a partir das 18 horas, que é quando o metabolismo baixa um bocado. Uma boa dica é aumentar as doses de alimentos como feijão, grão e arroz. E se houver o hábito de comer sopa então deve ser deixada para final da refeição, de modo a não roubar “espaço” a alimentos mais calóricos.

 

 

Acredita que o mundo da nutrição vai continuar a mudar ao ponto de a manter a escrever?

 

Voltarei a escrever se realmente se verificar uma grande mudança no consumo alimentar das pessoas. O vegetarianismo é um bom exemplo. Já existem muitos vegetarianos, mas acredito que daqui a uns anos existam ainda mais pessoas com este estilo de vida e nessa altura talvez faça sentido escrever sobre o tema.

 

 

 

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