Agostinho da Silva

“Toda a grande obra supõe um sacrifício; e no próprio sacrifício se encontra a mais bela e a mais valiosa das recompensas.”

George Agostinho Baptista da Silva, nasceu na freguesia de Bonfim, na cidade do Porto, a 13 de Fevereiro de 1906, filho de...
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Agostinho da Silva
“Toda a grande obra supõe um sacrifício; e no próprio sacrifício se encontra a mais bela e a mais valiosa das recompensas.”

George Agostinho Baptista da Silva, nasceu na freguesia de Bonfim, na cidade do Porto, a 13 de Fevereiro de 1906, filho de Francisco José Agostinho da Silva e de Georgina do Carmo Baptista da Silva, foi um filósofo, poeta e ensaísta português. Apontado como um dos grandes pensadores portugueses do século XX, considerava a liberdade como a mais importante qualidade do ser humano.
Realizando um percurso académico notável e excecional, Agostinho da Silva terminou a licenciatura em Filologia Clássica, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, com 22 anos e o doutoramento com 23, ambos com 20 valores, summa cum laude.
Impossibilitado de trabalhar no ensino superior por colaborar na Seara Nova, colaboração que manteve até 1938, partiu para Paris como bolseiro onde, até 1933, desenvolveu estudos na Sorbonne e no Collège de France.
Após o seu regresso em 1933, lecionou no ensino secundário em Aveiro até ao ano de 1935, altura em que foi demitido do ensino oficial por se recusar a assinar a Lei Cabral, que obrigava todos os funcionários públicos a declararem por escrito que não participavam em organizações secretas (e como tal subversivas). No mesmo ano, conseguiu uma bolsa do Ministério das Relações Exteriores de Espanha e foi estudar para o Centro de Estudos Históricos de Madrid. Em 1936 regressou a Portugal por estar eminente a Guerra Civil Espanhola.
Em 1938 abandonou a Revista Seara Nova e, em 1939, criou o Núcleo Pedagógico Antero de Quental. Foi preso pela polícia política em 1943, ficando 18 dias no Aljube e obrigado a residência fixa.
Em 1944, Agostinho da Silva emigrou para a América do Sul, acompanhado da sua mulher, Berta David, e dos filhos Pedro Manuel e Maria Gabriela. Passando pelo Brasil, Uruguai e Argentina, fundando universidades e centros de investigação por toda a América Latina. Naturaliza-se brasileiro em 1959 e é o promotor da criação da CPLP. Regressa a Portugal em 1969 após a doença e morte de Salazar e a sua substituição por Marcello Caetano.
Desde essa data, dedicou-se essencialmente à escrita. Aposentado como professor universitário no Brasil, Agostinho da Silva regressou ao ensino superior dirigindo o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e no papel de consultor do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, (actual Instituto Camões).
A partir de 1990, a RTP1 emitiu as entrevistas conhecidas por “Conversas Vadias”, onde Agostinho da Silva concedeu entrevistas a treze personalidades conhecidas do meio artístico, literário, e académico nacionais. Estas sessões seriam francamente populares, tornando-se ainda bastante atuais naquilo que é o estudo desta singular figura, do seu pensamento, e da própria sociedade.
Depois de ter publicado mais de 200 títulos em Portugal e no Brasil, e de, em 1992, ter obtido de novo a nacionalidade portuguesa, em 3 de Abril de 1994 atinge «um silêncio tão de espanto /que era todo o universo à sua volta/ um seduzido canto». Assim rezam os seus versos na lápide do Alto de São João. Morre em Lisboa, no Hospital de São Francisco Xavier, a 3 de Abril de 1994