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Autora do mês: 7 curiosidades que provavelmente ainda não conheces sobre Elena Ferrante

BlogFNAC3
Por BlogFNAC3
Em 22/07/2019
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Autora do mês: 7 curiosidades que provavelmente ainda não conheces sobre Elena Ferrante

Sabias que Elena Ferrante não se considera uma autora anónima? Que é apaixonada por Daniel Day-Lewis? E que tem um novo livro de crónicas, nascido de um desafio?


ellena

 

Elena Ferrante não publicou nada durante dez anos após o primeiro livro

 

Elena Ferrante começou a escrever histórias quando tinha apenas 13 anos, mas o hábito só se tornou permanente já na casa dos vinte. Isto de acordo com a própria, numa entrevista concedida ao New York Times. A italiana publicou o seu primeiro livro, Um Estranho Amor, em 1992.

“Começou a vender de imediato, graças ao boca-a-boca dos leitores que o descobriram e apreciaram a escrita e aos críticos que escreveram positivamente sobre ele”, explica a autora. “Então o realizador Mario Martone leu-o e transformou-o num filme memorável [Vítima e Carrasco]. Isto ajudou o livro, mas também desviou as atenções da comunicação social para a minha pessoa. Parcialmente por essa razão, não voltei a publicar nada nos dez anos que se seguiram.”

 

Elena Ferrante não se considera uma autora anónima

 

É o elefante na sala quando falamos desta italiana. É que “Elena Ferrante” não passa de um pseudónimo. Apesar de já ter inspirado muitos debates e teorias, a verdadeira identidade da autora permanece oficialmente desconhecida. Esta opção pelo secretismo foi tomada após a publicação do seu segundo livro, Os Dias do Abandono.

“O sucesso deste livro e do filme que foi feito a partir dele centraram ainda mais as atenções na ausência de um autor. Foi então que decidi separar definitivamente a minha vida privada da vida pública dos meus livros”, explica a escritora. “Posso dizer, com um certo orgulho, que no meu país os títulos dos meus romances são mais conhecidos do que o meu nome.” E, no entanto, Elena Ferrante não se considera uma autora anónima: “Eu não escolhi o anonimato, os livros são assinados. Escolhi, isso sim, a ausência.”

 

Elena Ferrante é italiana mas não um estereótipo

 

Se a identidade é desconhecida, a nacionalidade não merece dúvidas: Elena Ferrante é assumidamente italiana de gema. O que não significa que se reveja naquilo que outras pessoas consideram um italiano típico. “A pizza não me cai bem, como muito pouco esparguete, não falo alto, não gesticulo, detesto todo o tipo de máfia, não exclamo ‘Mamma mia!’”, deixa claro a autora. Acrescenta que, apesar de amar o seu país, não sente propriamente espírito patriótico ou orgulho nacional: “Ser italiana, para mim, começa e acaba com o facto de falar e escrever na língua italiana.”

 

Elena Ferrante tem uma afeição especial pelo seu terceiro livro

 

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Um Estranho Amor ajudou Elena Ferrante a encontrar o seu tom narrativo. Os Dias do Abandono deu-lhe uma maior confiança nas suas capacidades. A tetralogia de Nápoles levou à sua meteórica ascensão e ao reconhecimento internacional. E, no entanto, é do terceiro livro, A Filha Obscura, que a autora ainda hoje mais se orgulha.

 

Cronicas-do-Mal-de-Amor

 

“Considero que A Amiga Genial foi, até hoje, o meu trabalho mais árduo e, não obstante, de maior sucesso. Escrevê-lo foi como ter a oportunidade de viver uma segunda vez a minha vida. Mas ainda acho que o meu mais arriscado e provocante livro é A Filha Obscura”, explica. “Se não tivesse, com grande ansiedade, passado por ele, não teria escrito A Amiga Genial.” Os três primeiros livros da autora encontram-se atualmente compilados numa única edição: Crónicas do Mal de Amor

 

Elena Ferrante encara a tetralogia de Nápoles como um único livro

 

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Com mais de 10 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, a tetralogia de Nápoles – composta por A Amiga Genial, História do Novo Nome, História de Quem Vai e de Quem Fica e História da Menina Perdida – fez de Elena Ferrante um fenómeno internacional, conquistando o público e a crítica com as realistas oscilações da complexa amizade vivida entre Elena “Lenù” Greco e Raffaella “Lila” Cerullo.

 

Historia-de-Quem-Vai-e-de-Quem-Fica

 

A intenção inicial não era escrever uma tetralogia. “A história foi concebida e escrita como uma única narrativa”, admite Elena Ferrante. “A sua divisão em quatro robustos volumes foi decidida quando percebi que a história de Lila e Lenù não conseguiria ser facilmente contida num único livro.”

 

A-Historia-da-Menina-Perdida

 

Elena Ferrante desafiou-se a publicar regularmente durante um ano

 

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Quando o jornal britânico The Guardian lhe propôs que passasse a escrever uma crónica semanal para as suas páginas, Elena Ferrante assustou-se. “Nunca fizera uma experiência desse género e receava não ser capaz.” Eram muitos os fatores que a amedrontavam: “Assustavam-me os prazos semanais, assustava-me ter de escrever mesmo que não me apetecesse, assustava-me a necessidade de publicar sem ter considerado escrupulosamente cada palavra. Mas a curiosidade acabou por vencer.”

Foi desta forma que Elena Ferrante cumpriu o repto que se autoimpôs. A popularidade do seu espaço de opinião disparou e parece que valeu a pena. Afinal, a italiana acabou por compilar os 51 textos que escreveu entre 20 de janeiro de 2018 e 12 de janeiro de 2019 no livro A Invenção Ocasional.

 

Elena Ferrante é apaixonada pelo ator Daniel Day-Lewis

 

Nas crónicas desenvolvidas para o The Guardian, Elena Ferrante escreveu sobre os mais diversos temas. Confessou, por exemplo, que se tornou “obsessiva” com as alterações climáticas – detesta os eternos verões e o calor que começa cedo e não termina; aterrorizam-na os céus negros e a chuva que cai e transforma as ruas em rios.

Revelou também que vê o filme Solaris, de Andrei Tarkovski, pelo menos uma vez por ano e que não compreende a razão por que foi publicitado como a resposta soviética a 2001: Odisseia no Espaço – “O maravilhoso filme de Kubrick, com a sua força imaginativa, certamente ganharia [na comparação] mas não tem sequer uma ponta do desespero e da sensação de perda que domina Solaris.”

Mais curiosa será talvez a paixão que afirmou sentir pelo ator Daniel Day-Lewis. “Digamos que corresponde certamente ao tipo de homem que eu gosto: esguio, suaves entradas no cabelo, um rosto longo no qual os vários elementos não são irritantemente simétricos.” Ferrante admite, contudo, que apenas o ama nos seus filmes e que há muito que deixou de pensar nas celebridades como seres humanos que existem realmente: “Quando amo Daniel Day-Lewis, amo os romancistas que escreveram os livros dos quais os seus filmes foram adaptados, os argumentistas que compuseram o diálogo e os realizadores, diretores artísticos, técnicos de luz e som, encenadores, professores de atuação – por outras palavras, todos aqueles que ajudaram a transformar o seu corpo real num corpo particularmente destinado a ser um ícone do cinema ou da televisão.”

 

A sua conclusão é, por isso, que “Daniel Day-Lewis, como qualquer estrela ou talvez até qualquer pessoa criativa, não é um homem mas uma obra de arte”.

 

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