Revista ESTANTE

Autora do mês: Isabel Allende em 7 curiosidades

BlogFNAC3
Por BlogFNAC3
Em 08/11/2019
25
Autora do mês: Isabel Allende em 7 curiosidades

Isabel Allende


Naturalidade - Lima, Peru

Data de nascimento - 2 de agosto de 1942

Primeiro livro publicado - A Casa dos Espíritos (1982)

 

A autora chilena fez a sua estreia no mundo literário com A Casa dos Espíritos e nunca mais parou, contando com mais de 20 livros escritos. Na sua “casita” guarda todas as obras que publicou, em todas as línguas que foram impressas. Longa Pétala de Mar é a mais recente.

 


Isabel Allende viveu exilada na Venezuela durante 13 anos


Nasceu no Peru mas mudou-se muito cedo para o Chile. E, em 1973, já com 31 anos, viu o presidente deste país, primo do seu pai, ser destituído do poder após um golpe de estado cometido por Augusto Pinochet. Por ser filha de um diplomata e enteada de outro, viu-se responsabilizada por garantir uma fuga segura dos indivíduos que estavam na “lista de procurados” pelas forças apoiantes de Pinochet.

Não demorou muito tempo até a própria Isabel ser incluída na temida lista e, depois de uma série de ameaças de morte, decidiu exilar-se na Venezuela, onde viveu durante 13 anos.

A autora revelaria mais tarde que, após o golpe de estado, se apercebeu rapidamente de que até os militares compreendem o poder da palavra escrita e a influência que esta tem na sociedade. É por isso que perseguem “aqueles que conseguem dizer a verdade de uma forma ou de outra”. Esses, acrescenta, são os que “desaparecem” primeiro nestas condições políticas. Apesar disso, os escritores devem continuar a trabalhar, mesmo que arrisquem a vida.

O exílio e a perseguição política inspiraram-na mais tarde a escrever o livro De Amor e de Sombra, sobre dois jornalistas forçados a expatriarem-se depois de investigarem o desaparecimento de uma mulher numa ditadura militar.

 

De-Amor-e-de-Sombra-Isabel-Allende

De Amor e de Sombra

(1984)

 

Isabel Allende iniciou todos os seus livros no dia 8 de janeiro

 

No dia 8 de janeiro de 1981, já exilada na Venezuela, Isabel Allende soube que o seu avô estava a morrer. A notícia foi um duro golpe para a chilena, que o via como uma figura paterna, mais até do que o próprio pai, que a abandonou quando tinha três anos e do qual não tem qualquer memória.

Incapaz de voltar ao Chile para se despedir do avô, sentou-se em Caracas para lhe escrever uma carta “espiritual”, que viria mais tarde a tornar-se um dos seus livros mais populares: A Casa dos Espíritos. O dia marcou o início de um ritual de criação que mantém até agora, começando sempre as novas obras no dia 8 de janeiro de cada ano.

 

A-Casa-dos-Espiritos-Isabel-Allende

A Casa dos Espíritos

(1982)


A tradição não é uma “superstição”, como contou à Estante, mas sim fruto da disciplina que lhe permite ter vários meses de silêncio e solidão para escrever na sua “casita”, como afetuosamente lhe chama.

 

 

Isabel Allende não gosta que a comparem a Gabriel García Márquez

 

A história de A Casa dos Espíritos levou rapidamente a comparações com a obra Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, o que irritou Isabel Allende. E nem é nada contra o colombiano. Aliás, Cem Anos de Solidão é mesmo um dos seus livros preferidos (a par com As Mil e Uma Noites). A autora defende, no entanto, que, antes do sucesso do seu livro de estreia, as mulheres escritoras eram sistematicamente ignoradas, pelo que não gosta de ser automaticamente comparada com um homem.

 

Isabel Allende fez do seu livro mais popular “uma espécie de trilogia”


A Casa de Espíritos, atualmente com traduções para quase 40 línguas, é baseada em grande parte na ditadura militar que o Chile viveu sob o “punho de ferro” de Pinochet. Na história, a família Trueba vê um golpe militar substituir o presidente socialista, após o qual se seguem a perseguição e o terror – de forma muito semelhante ao que se passou no Chile entre 1973 e 1990 e que a autora experienciou em primeira mão.

Por outro lado, o livro é também inspirado na história da sua própria família e nas recordações que tem da infância. Allende usou os seus familiares como modelos para as personagens, tanto que vários destes não gostaram e cortaram relações com ela durante anos.

Algumas personagens de A Casa dos Espíritos voltam a aparecer nos romances Filha da Fortuna (1998) e Retrato a Sépia (2000), o que resulta numa trilogia não oficial cujos volumes podem ser lidos independentemente.

 

Filha-da-Fortuna-Isabel-Allende

Filha da Fortuna

(1998)

 

Retrato-a-Sepia-Isabel-Allende

Retrato a Sépia

(2000)

 

 

Isabel Allende refugiou-se na escrita para lidar com a morte da filha


Em 1991, Isabel Allende soube que a sua filha Paula tinha entrado em coma, vítima de uma doença rara chamada porfiria, acabando por morrer pouco depois. Desta tragédia emergiu o livro Paula, o seu primeiro trabalho de não ficção, que a autora descreve como essencial para a ter ajudado a ultrapassar o primeiro ano sem a filha.

 

Paula-Isabel-Allende

Paula

(1994)

 

Ainda hoje, Isabel recebe cartas de leitores que sofrem da mesma enfermidade, que perderam alguém ou simplesmente que também deram o nome de Paula à filha. “Isso é muito mais do que alguém pode esperar de uma obra”, diz.

 

Isabel Allende criou uma fundação para proteger mulheres e crianças

 

Isabel Allende começou a interessar-se pelo feminismo no início da sua carreira como jornalista, na revista chilena Paula, onde escrevia sobre temas tabu na altura, como a sexualidade feminina, o aborto, o adultério, a prostituição, as drogas – ocupação que horrorizava o seu avô.

O conceito tornou-se transversal nas suas obras, onde mulheres contestam com frequência os ideais de figuras patriarcais.

Terá sido, contudo, numa viagem à Índia, já após a perda da sua filha, que Isabel Allende teve uma epifania quando uma mulher lhe tentou dar o seu bebé, justificando-se com o facto de ser uma menina e de “ninguém querer meninas na Índia”. Depois do choque, decidiu criar a Fundação Isabel Allende, que se dedica a ajudar mulheres e crianças em situações de risco.

 

Isabel Allende é uma defensora acérrima dos direitos dos imigrantes

 

Filha de um diplomata, refugiada política durante a ditadura de Pinochet no Chile e imigrante nos Estados Unidos, onde ainda reside, Isabel Allende já mencionou várias vezes que tem sido uma estrangeira toda a sua vida: “Tive de deixar tudo para trás e começar de novo várias vezes.”

Durante alguns dos anos em que viveu na Venezuela, foi considerada “ilegal”, uma vez que não tinha os documentos necessários para residir no país. Numa entrevista, contou que, nessa fase, poderia facilmente ter sido apanhada num autocarro e deportada, o que lhe permite compreender as dificuldades dos imigrantes.

A autora é altamente crítica do atual governo de Donald Trump. Num vídeo que se tornou viral este ano, afirmou que os Estados Unidos não deveriam intervir na situação política atual da Venezuela e só o queriam fazer por uma razão: petróleo.

No livro Para Lá do Inverno, editado ainda antes de o atual presidente americano se ter candidato às eleições do país, escreve sobre os flagelos da imigração ilegal e dos refugiados. Uma das personagens principais, uma imigrante guatemalteca nos Estados Unidos, é baseada numa pessoa real sobre a qual Isabel tomou conhecimento através da sua fundação.

 

Para-lá-do-Inverno-Isabel-Allende

Para Lá do Inverno

(2017)

 

A autora retoma agora o tema no seu novo livro, Longa Pétala de Mar, inspirado na história dos refugiados espanhóis que chegaram ao Chile a bordo do navio Winnipeg.

 

longa-pétala-de-mar-isabel-allende

Longa Pétala de Mar

(2019)

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