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Charles Bukowski: curiosidades de uma vida intensa

BlogFNAC3
Por BlogFNAC3
Em 14/08/2020
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Charles Bukowski: curiosidades de uma vida intensa

Charles Bukowski fez das suas amarguras a matéria-prima para uma escrita que imita a oralidade. Descobre mais sobre o “escritor maldito” que celebraria 100 anos em 2020.



Charles Bukowski dividiu a crítica com o seu estilo provocador


Charles Bukowski começou a escrever poemas aos 15 anos, mas só publicou o primeiro livro duas décadas depois. Foi o início de uma obra relativamente extensa e marcadamente autobiográfica, com temas recorrentes tão controversos como alcoolismo, prostituição, experiências escatológicas e corridas de cavalos.

 

Charles Bukowski: curiosidades de uma vida intensa

 

Bukowski falava sobre a vida de maneira simples e crua, adotando um estilo obsceno, coloquial e aparentemente descuidado. Traços que dividiram de forma constante as opiniões dos críticos, à medida que o autor arriscava não só na poesia, mas também no romance e no conto.

Foi comparado a Henry Miller e Ernest Hemingway. Para alguns, representava um resquício da geração beat de Jack Kerouac e Allen Ginsberg. Para outros, como o filósofo francês Jean-Paul Sartre, era simplesmente o maior poeta da América.

Apesar de todos os elogios, Charles Bukowski acabou por se tornar um “escritor maldito”. Talvez o maior de sempre dos Estados Unidos.

É esta a expressão que se utiliza para denominar os autores que não aderem às normas das respetivas épocas e apenas são reconhecidos anos após a publicação original das suas obras, muitas vezes já depois de mortos. Poderá haver um termo mais adequado para Bukowski?

 

 

Charles Bukowski trabalhou grande parte da vida como carteiro

 

Por não ser um elemento “consensual” na literatura americana, Bukowski viu-se sempre obrigado a procurar pequenos trabalhos, muitas vezes precários, para escapar à fome. Entre outros, foi motorista de pesados, gasolineiro e empregado de limpeza.

Em 1952, quando contava 32 anos, arranjou emprego como carteiro no Serviço Postal de Los Angeles. Manteve-se neste emprego até aos 50 anos, quando finalmente se conseguiu dedicar em exclusivo à literatura.

A experiência profissional rendeu-lhe, contudo, boas inspirações. Correios, o seu primeiro romance, publicado em 1971, é baseado nos anos passados como carteiro e um retrato fiel das frustrações de um funcionário público.

 

Correios

 

 

Charles Bukowski escrevia alcoolizado

 

Embora tenha nascido na Alemanha, Charles Bukowski mudou-se com a família para Los Angeles com apenas 3 anos. Na adolescência, sofreu um problema de pele que lhe originou várias inflamações no rosto e no corpo. Incomodado, o futuro autor afastou-se gradualmente da escola e do convívio social. Acabou por encontrar refúgio nos livros. E no álcool.

Foi hospitalizado algumas vezes, ao longo da vida, devido ao consumo excessivo de álcool. Os médicos alertaram-no inclusive que, se não parasse de beber, morreria em breve. Mas Bukowski nunca demorava a regressar à vida boémia.

“O álcool é provavelmente uma das melhores coisas que chegaram à Terra – além de mim”, afirmou numa entrevista. “Entendemo-nos bem. É destrutivo para a maioria das pessoas, mas eu sou um caso à parte. Faço todo o meu trabalho criativo quando estou intoxicado.”

Henry Chinaski, personagem recorrente que o autor utiliza nos romances Correios, Factotum, Mulheres, Pão com Fiambre e Hollywood, é um alter ego de Bukowski e demonstra, de forma nítida e por vezes chocante, o peso que o álcool tinha na sua vida.

 

mulheres

 

Charles Bukowski e Sean Penn eram bons amigos

 

Sean Penn, conhecido ator e admirador da obra de Charles Bukowski, tornou-se seu amigo na década de 1980. Esteve inclusive para ser o protagonista de Barfly, um filme-biografia sobre a vida de Bukowski (escrito pelo próprio), mas perdeu o papel para Mickey Rourke. No entanto, a amizade com o autor não saiu beliscada.

Em 1987, Sean Penn entrevistou Bukowski para a revista Interview, levando-o a falar sobre temas tão complexos como solidão (“A solidão não é coisa que me incomode porque sempre tive um terrível desejo de estar só. Sinto solidão quando estou numa festa ou num estádio cheio de gente.”) e morte (“A morte provoca-me ressentimento, a vida também, e muito mais estar pressionado entre as duas. Sabes quantas vezes tentei o suicídio?”).

Charles Bukowski morreu em 1994, vítima de leucemia, pouco depois de terminar o romance Pulp. No dia do funeral, Sean Penn ajudou a transportar o seu caixão.

 

Pulp

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