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Revista ESTANTE

O que ainda não sabes sobre Drácula, Super-Homem e outros monstros fabulosos

BlogFNAC3
Por BlogFNAC3
Em 26/09/2019
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O que ainda não sabes sobre Drácula, Super-Homem e outros monstros fabulosos

Porque é que Drácula ataca os pescoços? O que significa o feio aspeto do Monstro de Frankenstein? Descobre tudo no livro Monstros Fabulosos

 

monstros-fabulosos

 

No seu mais recente livro, o argentino Alberto Manguel fala-nos de “monstros fabulosos”. É esta a expressão que utiliza para caracterizar algumas das suas personagens literárias preferidas, tendo-a retirado de um diálogo entre Alice e o Unicórnio em Alice do Outro Lado do Espelho. Ao contrário do que se possa esperar, as personagens sobre as quais Manguel disserta não são – pelo menos em exclusivo – criaturas monstruosas ou demoníacas. Todas têm, no entanto, em comum o facto de ficarem na memória.

“Na longínqua infância da minha geração, envolvida nas suaves dobras da fantasia sobrenatural, os nossos companheiros de brincadeiras eram a Pipi das Meias Altas e o Pinóquio, o pirata Sandokan e o mágico Mandrake”, escreve Manguel. “Os das crianças de hoje serão, presumo, Harry Potter e os seus companheiros, e as coisas selvagens de Maurice Sendak. Todos esses monstros fabulosos são-nos tão incondicionalmente fiéis que pouco lhes importam os nossos achaques e fraquezas.”

Se queres saber mais sobre a Bela Adormecida e o Capuchinho Vermelho, sobre Quasimodo e o Mandarim, sobre Queequeg e Hsing-chen, este é, por isso, o livro certo para ti. Para abrir o apetite, deixamos-te alguns teasers que te vão desde já ajudar a ver Drácula, Lilith, Super-Homem e o Monstro de Frankenstein sob uma nova perspetiva.

 

DRÁCULA REVÊ-SE NOS PESCOÇOS QUE ATACA


dracula

 

De acordo com Alberto Manguel, a história de Drácula, o imortal antagonista do clássico de Bram Stoker, baseado nas histórias de vampiros de Sheridan Le Fanu e na figura histórica de Vlad Draculesti, é uma história de pescoços. “O pescoço é o palco em que os dramas de Stoker têm lugar: o pescoço de mulheres sonâmbulas vestidas de negligés translúcidos, o pescoço orgulhoso de quem se opõe ao Conde, o pescoço corajoso de quem o persegue, o pescoço virgem das suas vítimas inocentes.”

Em Monstros Fabulosos, Manguel procura explicar o porquê do foco nesta zona do corpo, sugerindo que se trata de uma representação da natureza do próprio Drácula: “É talvez por ser lá, mais do que noutras partes do corpo, que a pele mal esconde a sua teia de veias e artérias secretas, que o vampiro, qual explorador de um maravilhoso mundo escondido, curioso por descobrir o reino subterrâneo que poderá conduzir ao âmago do nosso ser, procura ousadamente entrar nesse mato misterioso, enredado, obscuro e proibido.”

 

O MONSTRO DE FRANKENSTEIN REFLETE O QUE NÃO QUEREMOS PARECER


Frankenstein


Em Monstros Fabulosos, Alberto Manguel sugere que o rosto do Monstro criado por Victor Frankenstein é “o rosto do nosso eu infra-humano, detentor de traços que tememos que um dia nos sejam devolvidos por um espelho”. Ou seja, mais do que a perturbadora criatura imaginada por Mary Shelley, o Monstro de Frankenstein representa o grotesco, um rosto “perfeitamente falhado”, o rosto “do retrato de Dorian Gray”, o rosto “do malvado Mr. Hyde”.

Manguel acrescenta que esta “fealdade intolerável” faz do Monstro de Frankenstein o modelo de uma vítima: “Inocente e caluniado, é espicaçado até ser obrigado a recorrer à violência.” Este será também um medo partilhado por qualquer pessoa, o de ser intolerado ao ponto de apenas lhe restar a opção de atacar. “Sendo feito de tantos homens, o Monstro de Frankenstein é, pelo menos em parte, o nosso espelho, um reflexo daquilo que não queremos ou não nos atrevemos a recordar”, explica Manguel. “Talvez por isso nos assuste tanto.”

 

 

LILITH PROVOCOU CIÚMES A ADÃO COM A SERPENTE


lilith


Diz uma antiga lenda judaica que, antes de criar Eva para fazer companhia a Adão no Jardim do Paraíso, Deus se aventurou na criação de uma mulher chamada Lilith. Ao contrário de Eva – ou Adão –, Lilith tinha a capacidade de mudar de forma sempre que desejava e passava, por isso, dias transformada em animal, acabando no processo por se tornar amiga de vários animais.

“O animal preferido de Lilith era a serpente”, escreve Alberto Manguel, “cujas qualidades quis Deus que fossem semelhantes às de Adão.” Lilith e a serpente tornaram-se tão próximos que Adão começou a sentir-se excluído, ao ponto de se queixar a Deus. Eventualmente, Deus mandou três anjos para lhe fazer um ultimato. “Os anjos dizem a Lilith que, a menos que voe de regresso com eles para junto de Adão, uma centena dos seus filhos seriam mortos todos os dias. Lilith responde que prefere esse castigo a voltar para Adão e ser sua escrava.” Terminou assim a tentativa de relação entre Adão e Lilith.

 

 

SUPER-HOMEM É O SUCESSOR DE MUITOS OUTROS SUPER-HOMENS


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Muitos veem o Super-Homem como o pioneiro que revolucionou a forma como hoje entendemos os super-heróis. Alberto Manguel sugere, contudo, que este não é mais do que o sucessor de tantos outros “super-homens” do passado.

“Desde as nossas histórias mais antigas que adoramos imaginar super-homens de toda a espécie”, escreve Manguel. “Enkidu, o parceiro de Gilgamesh, é tão forte que consegue matar o touro selvagem de Ishtar; Hércules cumpre as suas doze tarefas aparentemente impossíveis; Nimerod, bisneto de Noé, é ‘um valente caçador diante do Senhor’ e usa a sua força para construir a Torre de Babel de modo a combater o exército celeste de Deus; Sansão […] recebe uma restauração divina da sua força para que possa deitar abaixo as colunas do templo do Dragão e matar-se a si e aos seus captores num dos primeiros ataques suicidas registados.” E ainda refere Paul Bunyan, o Übermensch de Nietzsche e as versões alternativas formuladas por George Bernard Shaw e G. K. Chesterton.

Se tivermos todas estas interpretações em conta, chegamos a conclusões bastante interessantes sobre como tem vindo a mudar, ao longo do tempo, a perspetiva de um ser superior aos humanos.

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