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Ghost of Tsushima: Um Samurai ao Sabor do Vento

BlogFNAC5
Por BlogFNAC5
Em 22/07/2020
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Ghost of Tsushima: Um Samurai ao Sabor do Vento

Com a chegada da PlayStation 5 no final do ano, Ghost of Tsushima é provavelmente o último dos grandes exclusivos para a atual consola da Sony.

Pelas mãos da Sucker Punch, estúdio responsável pelas sagas Sly Cooper e Infamous, chega-nos agora um jogo de ação e aventura em mundo aberto, passado no Japão feudal. E mais do que grafismos e combates, o que chama desde logo a atenção neste Ghost of Tsushima é a beleza poética dos cenários naturais que iremos explorar. A ilha de Tsushima parece um organismo vivo, com a sua fauna em movimento e o constante ondular das árvores e ervas ao sabor do vento.

Mas comecemos pelo princípio...


A história


No final do século XIII a invasão do império mongol espalha-se por todo o Oriente. A ilha de Tsushima é a última oportunidade de defesa para o território japonês. Mas o ataque mongol é devastador, o pequeno exército da ilha é esmagado pela imensa força atacante e o samurai Jin Sakai é um dos poucos sobreviventes. Com o exército japonês destroçado e os invasores mongóis a controlar a ilha, o nosso herói enfrenta agora um dilema.


A honra é o que define um samurai. Jin sempre aprendeu que deve respeitar os seus inimigos, que deve enfrentar os adversários de frente, cara a cara, num combate justo. Só que sozinho contra um exército inimigo, o combate honrado será suicídio. Para defender o seu povo, ele terá de aceitar a desonra que representam as táticas de guerrilha e dissimulação que se vê agora obrigado a usar: atacar pelas costas ou envenenar inimigos, por exemplo.


Este conflito interno acompanhará o nosso herói enquanto explora a ilha de Tsushima, procurando libertar alguns outros guerreiros sobreviventes e com o objetivo final de expulsar os invasores das várias províncias da sua terra natal.

 


O mundo vivo


Ghost of Tsushima apresenta tudo o que se pode esperar de um jogo em mundo aberto nos dias de hoje. É possível percorrer toda a ilha livremente, sem o carregamento de níveis, barreiras artificiais ou caminhos predeterminados. Há a fauna e flora em movimento e os habitantes e invasores que tratam dos seus afazeres. Existem as missões principais, que fazem avançar a história do jogo, e inúmeras missões e atividades secundárias que te vão prender ainda mais ao comando.

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O que faz o jogo destacar-se dos demais é a forma detalhada como todos os elementos deste mundo virtual se conjugam. É o vento que faz ondular os campos de flores e ervas, que abana as árvores e que transporta folhas soltas pelo ar. É a luz do Sol que varia de cor e intensidade enquanto passa o tempo entre o amanhecer, o meio-dia e o cair da noite, pintando o mesmo cenário em cores tão diferentes. É a forma como essa luz cria raios por entre os ramos das árvores e faz as suas sombras dançarem também com o vento. É o pormenor das pegadas deixadas na lama pelo nosso herói e a forma como a sua capa esvoaça ao sabor do vento.


E é também o grande detalhe colocado nas personagens. Não apenas o detalhe gráfico dos corpos, das roupas e das armas, mas também o cuidado posto nos seus diálogos e reações. As conversas com os aliados que nos acompanham em algumas missões são bem escritas e contribuem em muito para conhecermos as suas motivações e sentimentos. E, à medida que o nosso herói vai ganhando a fama de “Ghost”, alguns inimigos entram em pânico a meio do combate, largam as armas e arrastam-se pelo chão, recuando aterrorizados.


Adicione-se a isto os planos cinematográficos de alguns momentos-chave e o resultado é uma recriação impressionante e interativa do imaginário dos filmes de samurais, ao ponto de o jogo incluir um “Modo Kurosawa”, inspirado no genial realizador japonês de “Os Sete Samurais” ou “Yojimbo”. Neste modo, o jogo é apresentado a preto e branco, com diálogos em japonês (com legendas, claro) e com um filtro visual a simular o grão da película de filme. O efeito é fabuloso só que, por outro lado, perdem-se as cores fantásticas que já referimos.


Mas o melhor de tudo é que, com um visual tão rico e belo, Ghost of Tsushima praticamente não tem uma interface gráfica a “poluir” as vistas. Não há um mapa constantemente no ecrã ou uma seta a apontar o caminho para o objetivo, o que permite uma imersão ainda maior neste mundo virtual.
E como encontramos então o nosso caminho?

 

O jogo


Uma das características mais distintas de Ghost of Tsushima é o vento. Para além do que já descrevemos, o vento serve também de guia para o nosso herói. Com um toque num botão, Jin pode invocar um sopro de vento que indica a direção do seu objetivo. É uma forma elegante e orgânica de guiar o jogador sem colocar elementos artificiais no ecrã. Há outras dicas visuais que indicam objetivos secundários, pontos de interesse e desafios vários, como as colunas de fumo à distância, pássaros que voam à nossa volta ou raposas que parecem querer que as sigamos.

 


Tudo isto contribui para que a exploração da ilha de Tsushima seja feita de forma mais natural, sem parecer uma corrida entre check points, reforçando ainda mais a beleza que os criadores do jogo conseguiram colocar neste mundo.
Outro ponto que merece menção é o foco que o jogo coloca nos combates. Faz todo o sentido, claro, tratando-se de um jogo de samurais. Só que Ghost of Tsushima foca-se menos nos upgrades de equipamento e estatísticas da personagem, que é o mais habitual nos jogos de aventura e ação, e privilegia a aprendizagem das técnicas de combate, ao ponto de o jogo nem sequer ter uma opção de fazer lock on num inimigo para focar os ataques.
Em Ghost of Tsushima os combates são fluidos. De início pode bastar carregar freneticamente nos botões, mas à medida que o jogo avança é preciso saber usar a postura de combate correta para quebrar a guarda de cada tipo de inimigo. E quando há vários inimigos à nossa volta, todos a atacar constantemente, o combate torna-se uma coreografia improvisada a cada momento, onde um lock on não faria sentido. Infelizmente, é também aqui que surge uma das maiores falhas do jogo, já que a câmara livre facilmente vai calhar atrás de um objeto ou de parte do cenário no meio do combate, obrigando a ajustes manuais que quebram a atenção.
No extremo oposto dos combates estão os desafios. Ao encontrar um grupo de inimigos, Jin pode escolher anunciar a sua presença e desafiá-los para uma espécie de duelo. Nestes duelos é possível matar um inimigo, ou até vários, com um só golpe. Mas o timing desse golpe tem de ser extremamente preciso. Além de alimentar a fantasia samurai do jogo, esta mecânica é interessante porque falhar significa ficar com a vida no mínimo frente a um grupo de inimigos: fazendo de cada encontro um jogo de grande risco e grande proveito.

 

Em resumo


Ghost of Tsushima é sobretudo um jogo de samurais, algo pouco habitual de se ver, que promete transformar o teu imaginário das batalhas de samurais que viste tantas vezes em filmes ou em anime. Um jogo com tantas qualidades como este é imperdível para qualquer fã deste universo ou da cultura e estética japonesas.
É um mundo fabuloso para explorar ao sabor do vento.

Já podes encontrar o jogo Ghost of Tsushima na área de Gaming da loja FNAC mais perto de ti ou em fnac.pt

Informação:
Título: Ghost of Tsushima
Género: Ação / Aventura
Plataforma: PlayStation 4
Data de lançamento: 17 de julho de 2020
Classificação etária: PEGI 18

Escritor por João Namorado

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