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I, Tonya: Margot Robbie e Allison Janney deslizam até aos Óscares

ExpertFnac
Por ExpertFnac
Em 01/03/2018
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I, Tonya: Margot Robbie e Allison Janney deslizam até aos Óscares

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Margot Robbie e Allison Janney imprimem uma personalidade forte às duas personagens que ditam o rumo da história e pode ser esta representação irrepreensível que lhes vai colocar a estatueta dourada nas mãos no dia 4 de Março. Este filme, nomeado para 3 Óscares, mistura o drama de uma vida marcada por infortúnios com toques cómicos que te vão agarrar ao ecrã do início ao fim.


Lavona_tonyaDuas interpretações com pontuação máxima

A atriz promissora Margot Robbie, depois de dar vida à irreverente Harley Quinn em Esquadrão Suicida, dá corpo e alma à patinadora olímpica Tonya Harding, naquele que é bem capaz de ser um dos papéis da sua vida. O filme, “I, Tonya”, assinado pelo realizador Craig Gillespie, já bem conhecido pelo público por filmes como The Finnest Hours e Fright Night, conta a história de Tonya, patinadora olímpica com uma infância conturbada que cruza um crescimento marcado pela violência, com uma carreira promissora na patinagem. É nessa infância de maus tratos que entra a participação exímia de Allison Janney, que interpreta LaVona, mãe de Tonya. A atriz dá uma intensidade única à personagem da progenitora, com um comportamento insuportável, trata a filha com frieza extrema, sem nunca mostrar gestos de carinho, com um passado marcado por agressões físicas e psicológicas, a atleta cresce de forma desiquilibrada. Apesar do enorme talento, a sua carreira ficou manchada pela suposta agressão à colega de equipa Nancy Kerrigan (interpretada por Caitlin Carver).


Tonya_jeffUm drama carregado de ironia

O filme que se desenrola em estilo de documentário, conta, grande parte das vezes, versões diferentes das mesmas situações, o que torna a história, que pelo seu conteúdo deveria ser dramática, numa narrativa carregada de momentos cómicos que cruza o drama com a comédia, foi essa, talvez, uma das razões que o fez ganhar o prémio de melhor comédia pelo Critics’ Choice Award. A forma como a mãe de Tonya a empurrou para a patinagem com apenas quatro anos e a frieza com que trata a criança, faz-nos criar empatia com a personagem principal, que deveria ser a “vilã” da história, mesmo antes de termos tempo de começar a entender os contornos do acidente que originou o filme. A personagem de LaVona transmite uma frieza implacável, que é amenizada pela relação engraçada com o pássaro que vive no seu ombro, dando toques de ironia à personagem. E talvez tenham sido esses maus tratos por parte da progenitora que empurraram Tonya para os braços de Jeff (Sebastian Stan), um marido que se torna também ele agressivo e controlador, que quer estar presente em todos os momentos da vida de Tonya e que acaba por ser um dos elementos que contribui para o desfecho trágico desta história. Apesar do peso de uma situação de violência doméstica, esta é amenizada em forma de sátira que faz rir através de momentos cómicos.


tonya_tripleA beleza e habilidade fora do padrão

O olhar do filme centra-se numa américa rural, Tonya é uma “redneck”, que cresceu em Portland e que, por trás da forma excepcional como desliza no gelo, sabe arranjar carros, vai à caça com o seu pai e sabe cortar madeira. A narrativa enaltece o feito de Tonya, que se tornou na primeira mulher americana a realizar um Triple Axel em competições, o salto mais difícil da patinagem artística. Mas a sua força física e habilidade para a patinagem não coincidem com a sua educação, o que confere uma influência negativa na avaliação por parte do júri, quando Tonya entra no ringue. Na sua tentativa de chegar aos Jogos Olímpicos de Inverno, Harding vê-se prejudicada pela sua aparência física que vai contra a delicadeza que é transmitida pelas outras competidoras e pelas suas raízes pobres que a obrigam a ter de fazer a sua própria roupa para as competições. Toda esta história de desiquilibrio emocional, culmina no episódio de agressão a Nancy, do qual Tonya defende até ao fim não ter feito parte.


Com o poder de prender os espectadores ao ecrã do início ao fim, tem um bom equilíbrio entre uma situação da vida real e a ironia que essa mesma vida imprime nas situações. As interpretações fascinantes de Margot Robbie e Allison Janney dão uma intensidade extraordinária às personagens, que as fazem transcender o seu papel caricatural e lhes conferem força e uma personalidade muito vincada.

 

A longa metragem já conta com alguns galardões no currículo, tendo arrecadado o prémio de melhor filme nos Globos de Ouro e de melhor atriz secundária na mesma cerimónia e nos BAFTA. Está também nomeado para a cerimónia mais aguardada da academia, os Óscares, nas categorias de Melhor Atriz, Melhor Atriz Secundária e Melhor Montagem, tendo fortes possibilidades de ganhar alguns deles.

 


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