Revista ESTANTE

Ler pela primeira vez: Haruki Murakami

BlogFNAC3
Por BlogFNAC3
Em 26/05/2017
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Ler pela primeira vez: Haruki Murakami

O autor japonês que assina Kafka à Beira-Mar e 1Q84 é conhecido pelos enredos surrealistas, pelas referências musicais e pelo fascínio por… gatos. Queres entrar no seu mundo? A FNAC guia-te.


1978. Um Haruki Murakami de 29 anos estava sentado num estádio de basebol, com uma cerveja na mão, quando um dos atletas fez um arremesso para ponto duplo. Não foi uma pancada impressionante, mas, enquanto a bola voava pelo ar, e sem que nada o explicasse, a sua vida mudou para sempre. Teve uma epifania. Apercebeu-se, naqueles breves segundos, de que poderia escrever um romance. Nunca sentiu uma vontade tão grande de fazer algo como naquele momento. Por isso, quando o jogo acabou, foi a uma livraria, comprou papel e uma caneta, e durante os meses que se seguiram escreveu Ouve a Canção do Vento.

 

Ouve-a-Cancao-do-Vento-e-Fliper-1973

 

Começou desta forma a carreira daquele que é considerado, hoje, um dos nomes maiores da literatura mundial. O japonês – agora com 68 anos – é mestre de histórias surrealistas, personagens conduzidas por sonhos, memórias, nostalgias e outras manifestações do inconsciente.

Os seus livros procuram, acima de tudo, compreender as profundezas da identidade humana. É isso que o torna um escritor do mundo, e não só do Japão. Isso e o facto de ter começado, desde muito jovem, a embrenhar-se na cultura americana – inicialmente através de policiais e de música jazz.

Nem sempre é fácil acompanhar o ritmo e a lógica de Murakami. É natural, por isso, que ler as suas palavras pela primeira vez seja inquietante. No bom sentido. Aqui, damos-te o “empurrão” de que precisavas para entrar no seu mundo.

 

"Sou 99% escritor de ficção e 1% cidadão."



Os essenciais


1Q84


haruki


Publicado em 2009 no Japão, 1Q84 chegou dois anos depois ao mundo ocidental. Foi de tal forma bem recebido que a primeira edição esgotou no primeiro dia e, em apenas um mês, foram vendidos mais de um milhão de exemplares. Foi a primeira vez que Haruki Murakami conseguiu tal proeza.

A obra publicada em três volumes – cujo título é uma referência a 1984, de George Orwell (em japonês, o número 9 é pronunciado como a letra Q em inglês) – é uma das suas mais surrealistas. Acompanha duas personagens – Aomame, professora de artes marciais e assassina profissional, e Tengo, escritor e professor de matemática – que, apesar de aparentemente não estarem ligados um ao outro, caminham para um (fatal) destino comum. As suas histórias individuais são complementadas por elementos fantasiosos típicos de Murakami, como realidades alternativas e figuras sobrenaturais.

 

 

Norwegian Wood


murakami


Mas falar de Murakami é também, inevitavelmente, falar do seu lado mais intimista e inquisitivo relativamente à natureza humana. É falar de Norwegian Wood. Para muitos, o seu melhor livro.

Originalmente publicado em 1987, o romance começa com o narrador sentado num Boeing 747. Está prestes a aterrar no aeroporto de Hamburgo quando, a bordo do avião, começa a tocar a música dos Beatles que dá o título ao livro. Apodera-se então dele uma nostalgia, as memórias daqueles que deixou para trás, sendo esse o ponto de partida para uma reflexão mais alargada sobre a vida, a morte, o amor e a perda.

Conclui o The Guardian, e com razão: “Os romances de Haruki Murakami ganharam uma imensa popularidade porque guiam os leitores através de alguns dos territórios mais sombrios e perigosos da vida, e fazem-no com sabedoria e fervor.”

 

"A minha imaginação é uma espécie de animal. O que eu faço é mantê-la viva"

 

 

Para amantes de música e… gatos

 

A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol


A-Sul-da-Fronteira-A-oeste-do-Sol


Consumidor ávido da cultura americana, Haruki Murakami sempre se afastou do estilo literário dos seus conterrâneos, chegando a dizer, no início da sua carreira, que fugia da “maldição japonesa.” Esse seu lado mais alternativo levou-o, aos 20 e poucos anos, a abrir um bar de jazz em Tóquio, o Peter Cat, que geriu durante cerca de sete anos.

Música e gatos são, precisamente, dois dos elementos mais presentes nos livros de Murakami. Os felinos aparecem regular e enigmaticamente ao longo das narrativas, que são também pautadas por uma enorme quantidade de referências musicais.

“Norwegian Wood”, dos Beatles, é o caso mais óbvio, mas também encontramos temas de Robert Schumann, em Crónica do Pássaro de Corda, o clássico de jazz “South of the Border”, de Chris Isaak, em A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol, ou a famosa “Sinfonietta” do compositor Leos Janacék, em 1Q84. Já para não mencionar aparições de grandes nomes como Bob Dylan, Marvin Gaye, Elvis Presley, Ray Charles, Beach Boys

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