Maria Bethânia

Maria Bethânia nasceu em Santo Amaro, na Bahia, no dia 18 de junho de 1946. A jovem desde pequena gostava de cantar, e fazia imitações dos artistas do rádio. Cauby Peixoto, Ângela Maria e Maysa eram os seus favoritos. Quando tinha 13 anos, sua...
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Maria Bethânia

Maria Bethânia nasceu em Santo Amaro, na Bahia, no dia 18 de junho de 1946. A jovem desde pequena gostava de cantar, e fazia imitações dos artistas do rádio. Cauby Peixoto, Ângela Maria e Maysa eram os seus favoritos.

Quando tinha 13 anos, sua família mudou-se para Salvador e a jovem passou a acompanhar o mano Caetano, que frequentava os meios artísticos daquela cidade. Em 1963 foi convidada a participar da peça "Boca de Ouro", de Nélson Rodrigues, cantando um samba de Ataulfo Alves. Neste mesmo ano os irmãos conheceram Gilberto Gil e Maria da Graça, depois Gal Costa. Convidaram o compositor Tom Zé e juntos, em 1964, encenaram "Nós, por exemplo", inaugurando o Teatro Vila Velha, em Salvador.

Esse show marcou a estreia dos baianos no cenário artístico nacional. No mesmo ano fizeram o show "Nova bossa velha e velha bossa nova", no mesmo teatro. No mesmo ano de 1964, sozinha, Maria Bethânia participou do musical "Mora na filosofia". Em seguida, a jovem cantora foi convidada para substituir Nara Leão no show "Opinião", no Rio de Janeiro.

A estreia foi dia 13 de fevereiro de 1965 e o sucesso foi absoluto, em especial quando cantou a música "Carcará", de autoria de João do Vale e José Cândido. O tom agressivo e o sentimento expressado pela voz da jovem, com seus gestos bruscos e precisos, levavam a platéia do pequeno Teatro Opinião ao delírio. Esse espetáculo fabuloso, em plena ditadura militar, colocou-a como a primeira no ranking das cantoras de protesto no Brasil. O show foi para São Paulo, Teatro Ruth Escobar, e fez o mesmo sucesso que havia conseguido no Rio de Janeiro. Em maio de 1965, Bethânia gravou seu primeiro compacto com as músicas "Carcará" e "é de manhã", de Caetano Veloso, pela RCA.

No mesmo ano gravou seu primeiro LP, interpretando sambas de Noel Rosa, João de Barro, Benedito Lacerda e outros compositores, pela RCA e lançou mais uma composição de Caetano Veloso "Sol negro", com participação de Gal Costa. Em setembro de 1965, fez parte do elenco de "Arena canta Bahia", com direção de Augusto Boal, apresentando-se ao lado de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé e Gal Costa, no TBC de São Paulo. Depois foi para Salvador, onde passou algumas semanas antes de voltar ao Rio de Janeiro. Em 1966 fez shows no Rio de Janeiro nas boates Cangaceiro e Barroco. No final de 1966, ao lado de Gilberto Gil e Vinícius de Morais, apresentou o show "Pois é", no Teatro Opinião. Atuou em "Yes, nós temos Bethània" e "Comigo me desavim". Em 1970 cantou músicas de Antònio Maria e Dolores Duran no show "Brasileiro, profissão esperança", de Paulo Pontes. Em 1971 gravou o LP "Tua presença", pela Philips. Em julho encenou o espetáculo "Rosa dos ventos", dirigido por Fauzi Arap, no Teatro da Praia, no Rio de Janeiro. Em seguida foi para Europa apresentar-se no MIDEM, em Cannes, na França, e depois na Itália, no Teatro Sistina. Em 1972, estreou no cinema ao lado de Chico Buarque e Nara Leão, no filme "Quando o carnaval chegar", de Carlos Diégues. Após inúmeras viagens por diversos países da Europa.

Bethânia gravou, no final de 1972, o LP "Drama - anjo exterminado", produzido por Caetano Veloso, pela Philips. Nesse LP a artista surge como letrista na música "Trampolim", em parceria com o irmão Caetano. Em 1973, Bethânia montou o show "Drama, luz da noite", que foi dirigido por Antònio Bivar e Isabel Câmara. Este show seguiu a mesma linha de "Rosa dos ventos", onde a artista canta, dança e recita textos e poemas. Em 1974 apresentou o show "Cena muda", com direção de Fauzi Arap, no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro. Depois o show foi para São Paulo e outras capitais brasileiras, sempre com enorme sucesso. Em 1975, para comemorar dez anos de carreira, fez um show com Chico Buarque de Holanda, no Canecão, do Rio de Janeiro. Neste mesmo ano gravou o LP "Chico Buarque e Maria Bethânia ao vivo", pela Polygram.

Em 1976 lançou o LP "Pássaro proibido", pela Polygram, e "Doces bárbaros - Bethânia, Caetano, Gil e Gal", pela Polygram. Em 1977, gravou "Maria Bethània e Caetano Veloso ao vivo", pela Polygram. 1978 foi o ano do LP "álibi", da Polygram. Este LP é considerado antológico, e fez de Maria Bethânia a primeira cantora brasileira a alcançar a marca de um milhão de discos vendidos. A cantora, nessa fase, entra em sua fase mais popular. Em 1979 lançou "Mel", com a fabulosa música "Grito de alerta", de Gonzaguinha, Em 1980, lançou o LP "Talismã", que naquele ano só perdeu em vendagem para Roberto Carlos. Em 1981, gravou o LP "Alteza", Polygram. Em 1982 lançou o LP e montou o show "Nossos momentos", com direção de Bibi Ferreira, no Canecão, no Rio de Janeiro. Em 1983, lançou o LP "Ciclo", pela Polygram. Em 1984 fez o show "A hora da estrela", baseado no livro do mesmo nome de Clarice Lispector, com especial atenção para a música "Brejo da Cruz", de Chico Buarque de Holanda. Em 1985 apresentou o show comemorativo de seus vinte anos de carreira, no Palace, em São Paulo. Em 1986 lançou o LP "Dezembros", pela BMG, com atenção especial para a música "Anos dourados", de Tom Jobim e Chico Buarque, que virou tema da mini-série do mesmo nome na Rede Globo. Em 1988 lançou o LP "Maria", pela BMG, com atenção para a música "Verdades e mentiras", de Jorge Além. Em 1989, lançou "Memória da pele", pela Polygram. Em 1990, comemorou os vinte e cinco anos de carreira com o LP "25 anos", com a participação de João Gilberto, Hermeto Pascoal, Almir Sater entre outros. Em 1992, lançou "Olho d'água", pela Polygram. Em 1994 lançou "As canções que você fez pra mim", pela Polygram, só com músicas de Roberto e Erasmo Carlos e vendeu 1,5 milhão de cópias. Neste mesmo ano, a Escola de Samba Mangueira fez homenagem aos quatro baianos Caetano, Bethânia, Gil e Gal Costa, no desfile das escolas de samba durante o carnaval. Em 1995, um show de retrospectiva dirigido por Gabriel Vilela originou o disco "Maria Bethânia ao vivo", pela Polygram. Em 1996, Bethània montou o show e lançou o disco "àmbar", com direção de Fauzi Arap, com sucessos de toda a sua carreira e lançamentos, como uma música de Carlinhos Brown e Adriana Calcanhoto.

Estes eventos marcaram os 50 anos de idade, 35 de carreira e 35 discos. Neste mesmo ano foi lançado em CD o álbum duplo "Doces Bárbaros". Em 1997, lançou o CD "Imitação da vida", pela EMI. Maria Bethânia foi uma cantora de protestos no início da carreira. Mais tarde, com todo o vigor de sua voz e físico privilegiado que a deixava, com incrível leveza e beleza passear e dançar pelo palco, firmou-se como excelente, talvez a melhor intérprete dramática da música brasileira. A crítica elegeu como suas melhores interpretações as músicas "A tua presença", "Esse cara" e "Drama", todas de Caetano Veloso; "Coração ateu", de Sueli Costa e "Tatuagem", de Chico Buarque de Holanda além da romàntica "Nada além", de Custódio Mesquita e Mário Lago. Dificilmente teremos intérprete tão perfeita para nossas músicas sejam elas, como foram, as de protesto, nos anos 60-70 sejam elas as dramáticas ou romànticas que na voz de Bethânia tomam, todas, um sabor de "Mel".