Nós, Enfermeiras Paraquedistas

Rosa Serra (Autor) Edição em Português
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    • A guerra começa por negar a inviolabilidade deste direito, e até se fala num direito provisório, que teve formulação em Nuremberg no julgamento dos vencidos, sob uma lei retroativa e invalidação das ordens recebidas, tudo consequência das crueldades cometidas, mas com expressão mais humanizada nas leis internacionais que protegem prisioneiros e feridos. Ora este livro vem contribuir para fortalecer uma tendência, felizmente em crescimento, para lembrar, não o avanço dos conceitos técnicos, não as destruições globais de... Ver mais

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    Descrição Nós, Enfermeiras Paraquedistas

    A guerra começa por negar a inviolabilidade deste direito, e até se fala num direito provisório, que teve formulação em Nuremberg no julgamento dos vencidos, sob uma lei retroativa e invalidação das ordens recebidas, tudo consequência das crueldades cometidas, mas com expressão mais humanizada nas leis internacionais que protegem prisioneiros e feridos. Ora este livro vem contribuir para fortalecer uma tendência, felizmente em crescimento, para lembrar, não o avanço dos conceitos técnicos, não as destruições globais de vidas e patrimónios, mas que são pessoas, cada uma delas sendo um fenómeno que não se repete na história da humanidade, que estão envolvidas na calamidade da guerra; em segundo lugar, que no socorro às vítimas, como nele se comprova, o direito natural retoma instantaneamente o imperativismo que leve tratar com igual dedicação e esforço, amigos e adversários atingidos nos combates. No caso português, esta iniciativa que levou à criação das Enfermeiras Paraquedistas, devida ao General Kaúlza de Arriaga, ainda teve que vencer a resistência cultural que se traduzia em que nem Jefferson, na Declaração de Filadelfia, conseguiu eliminar, que era a condição separada, jurídica e socialmente inferior, das mulheres. A sua persistência conseguiu vencer, e certamente foi uma iluminação coletiva, da Nação em armas, verificar a resposta decidida, corajosa, exemplar, das voluntárias que entraram na história por direito, não apenas pelo contingente, mas individualizadas, orientadas pelo saber de que cada ser socorrido, em condições inesperadas de risco e também de escassos recursos, é um fenómeno que não se repete na história da humanidade. Para esta última exigência do credo dos valores, recordarei apenas o relato referente a "o inimigo que visitava a enfermeira do setor B", escrito por Rosa Serra, e que se refere a Mueda. "De vez em quando, infiltravam-se um ou outro guerrilheiro doentes ou com qualquer mazela, tendo em vista os seus males" … "diziam os nossos médicos que se apercebiam destas situações… mas sempre fingiam não notar a fraude". Deve hoje sentir-se feliz Isabel Ribas, cujo exemplo foi um passo firme no árduo caminho da igualdade das mulheres; tem de recordar-se a visão e persistência de Kaúlza de Arriaga; é dever cívico reconhecer que não se tratou apenas, como modestamente concluem, de "gente que tratou gente", mas de exemplo que fica inscrito no património imaterial português. Hoje temos já muitas mulheres com cargos de chefia nas Forças Armadas, mas não é seguro que tenha sido a melhor das soluções extinguir o corpo das Enfermeiras Paraquedistas. Sendo todas por uma, e uma por todas, não estranharão que recorde a Capitão Ivone Reis, que foi meu oficial às ordens quando tive responsabilidades no então ultramar. Tal como não esqueço todas as que mandei condecorar pelos valiosos serviços prestados à "gente igual a nós", mas mais sacrificadas.

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