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Novos Talentos FNAC: escolher ou avaliar um filme

BlogFNAC3
Por BlogFNAC3
Em 24/01/2019
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Novos Talentos FNAC: escolher ou avaliar um filme

A FNAC está mais uma vez à procura de Novos Talentos! Se a tua grande paixão é o cinema, lê aqui as dicas que a realizadora e jurada Margarida Cardoso tem para ti e participa aqui.

Margarida Cardoso

Escolher ou avaliar um filme, ou uma outra qualquer manifestação artística, não é uma tarefa fácil. Estou habituada a fazê-lo porque sou professora em licenciaturas e mestrados na área do cinema. Mas apesar de ter 15 anos de experiência, posso vos dizer que esse trabalho de avaliação é sempre um momento único e diferente.

Temos de ver os filmes sempre mantendo uma mente aberta e sem preconceitos. “Ouvir” com muita atenção e tentar entender o que o autor nos está a tentar “dizer”. O que me faz sentir o visionamento do filme? Que questões o autor nos quer levantar sobre a vida e o mundo?

O que está por detrás das premissas de um determinado conceito cinematográfico, ou narrativa?

Por isso, para lá da natural subjetividade de avaliação inerente a cada elemento do júri, existem 5 pontos que são tomados em consideração, pois são as fundações de qualquer obra cinematográfica.

 

 

1. O filme deve mostrar intenção

 

Movie idea

 

O filme, animação, documentário ou ficção, é sobre “o quê”? Fala-nos de quê?

Esse “o quê” pode parecer que estamos a pedir que o filme, no seu todo, nos transmita uma “mensagem”. Não, não é isso, e não gosto nada da palavra mensagem. Há mesmo uma piada comum que diz: se queres enviar uma mensagem utiliza o teu telefone, não precisas de fazer um filme.

O “quê” é a ideia universal que guiou o autor/realizador na concepção do filme. Essa questão universal normalmente resume-se a uma simples palavra ou frase.

Se a conseguirmos sentir no vosso filme, então conseguimos ver intenção.

 

 

2. Valor cinematográfico e criação de um conceito

 

Movie concept

 

Todos os filmes têm um valor cinemático. A forma como utilizam a linguagem cinematográfica é fundamental para a qualidade do filme. Isso implica que no filme consigamos ver cinema.

Não é importante contar unicamente uma história. É sobretudo importante que os planos, as cenas, as sequências, a utilização da montagem, a concepção de um desenho de som e a criação de um tempo cinematográfico, estejam no filme a servir a vossa intenção.

É importante reconhecer as premissas e reconhecer o conceito cinematográfico do vosso filme.

Mais uma vez, essa qualidade não é unicamente técnica. É também a capacidade de utilizar as ferramentas cinemáticas para criar um discurso. Tal como a escrita.

 

 

3. Referências. É isto um filme?

Movie History

Hoje em dia existem muitas formas de utilizar a comunicação audiovisual. E por vezes, um vídeo para o YouTube que conta uma história muito bem contada pode ter imensas qualidades, mas não é cinema.

Não tem a ver com o tamanho da projeção. São só duas coisas incontestavelmente diferentes na sua forma e intenção.

O cinema tem uma História rica e surpreendente que abrange o documentário, a ficção e a animação. Quem quer fazer cinema é natural que tenha as suas referências. Não necessariamente ou unicamente no que se convencionou chamar “filmes de autor”, mas também em outros tipos de abordagens desde as mais clássicas às mais experimentais. Mas é bom que essas referências sejam de qualidade.

Ao visionarmos um filme temos de sentir que quem o fez sabe onde se está a colocar artisticamente na História. Por mais original que um conceito seja, ou até por mais “tosco” que o filme possa ser, acho que sempre conseguimos perceber se quem o fez tem ou não referências de qualidade que o guiaram na realização do seu trabalho.

 

 

4. Qualidade técnica

 

Editing movie

 

A técnica não é tudo. O filme não será avaliado pela sua qualidade técnica. Mas quando a técnica destrói ou subverte as qualidades artísticas do filme então isso será tomado em conta.

A qualidade do som será um ponto fundamental na avaliação, pois o desvalorizar da importância do som é muitas vezes reflexo de uma profunda falta de entendimento da linguagem cinematográfica.

 

 

5. Vontade, intuição

 

Filme

 

Sim, isso também se vê num filme. Não se intimidem, sejam corajosas/os. Se gostam de cinema, não se deixem intimidar por nada no vosso percurso e enviem os vossos trabalhos. Alguns filmes são feitos unicamente seguindo uma espécie de necessidade em expressar-se e uma intuição que por vezes é difícil de dizer que cumpre todos os pontos acima referidos nas dicas anteriores. Por isso avaliamos também essa força interior, essa vontade artística.

 

 Boa sorte!

 

Por: Margarida Cardoso

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