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Os 12 filmes mais importantes dos últimos 10 anos

ExpertFnac
Por ExpertFnac
Em 27/03/2020
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Os 12 filmes mais importantes dos últimos 10 anos

Tem se falado bastante sobre quais foram efetivamente os melhores filmes dos últimos 10 anos. Com esta lista tentamos não recomendar os “melhores”, mas os mais importantes, pelo impacto que tiveram no momento da sua estreia, pela disrupção que representaram e, nalguns casos, pela influência que ainda hoje têm. Além disto, queríamos sugerir uma lista de bons filmes que têm toda a capacidade para preencher o serão aí em casa com uma excelente experiência cinematográfica!



Blade Runner 2049


blade runner 2049  

Argumentavelmente, a melhor sequela não planeada alguma vez concebida. Blade Runner (1982) é considerado por muitos o pai do cyberpunk e uma das maiores referências de ficção científica (tal como o livro que inspirou o realizador Ridley Scott, Do Androids Dream of Electric Sheep? de Philip K. Dick). Ou seja, um filme destes não precisava duma sequela. Na verdade, uma sequela para um clássico desta dimensão é, no mínimo, perigosa. Há demasiado em jogo e Denis Villeneuve assumiu que Blade Runner 2049 foi o maior desafio da sua carreira enquanto realizador.

Blade Runner não podia ter apenas uma sequela narrativa. Tinha de ter uma sequela do tom, do ambiente, da banda sonora e, acima de tudo, tinha de ter uma sequela de propósito – Blade Runner 2049 tinha de ser tão relevante, tão artístico e tão autêntico como o primeiro, ao mesmo tempo que tinha necessariamente de conseguir uma identidade própria. Mas Denis Villeneuve conseguiu-o, com o valioso contributo de Roger Deakins (director de fotografia) e da extraordinária parceria entre Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch (compositores da banda sonora). 

Ou seja, em suma, conseguiu-se o impossível. Há espaço para tudo em Blade Runner 2049; para personagens novas com motivações próprias; para diversas mas contidas homenagens ao primeiro filme; para uma realidade alternativa que parece real (e é mesmo, porque Villeneuve construiu a sua visão de Los Angeles do futuro em "miniatura" com a ajuda dos estúdios Weta Workshop); mas, acima de tudo, há espaço para vermos um filme verdadeiramente irreverente, com um caráter artístico próprio mas sem deixar de pertencer ao universo original - uma verdadeira e especial sequela não planeada. 



Mad Max: Fury Road


mad max fury road

 

Aquele momento em que estás muito bem no teu scroll desatento e és impactado por uma publicação sobre uma longa ovação da plateia do Festival de Cannes ao filme de abertura, Mad Max: Fury Road. Estranho. Um filme americano de ação, aparentemente uma sequela… Afinal, o que há de tão especial neste Mad Max para merecer uma reação destas de um dos festivais de cinema mais importantes do mundo?

Qualquer filme que traga um quê de revolução é digno de destaque. Mad Max: Fury Road fez algo mais importante do que revolucionar; este filme fez-nos recordar o sentimento que é ver cinema no seu estado mais autêntico, despido de efeitos especiais, ecrãs verdes e outros ‘truques’. Não me interpretem mal, Mad Max recorre a esses artefactos, mas George Miller, o realizador de toda a saga (desde 1979), fá-lo ponderadamente, para enaltecer momentos estonteantes ou em transições mais difíceis; por exemplo, quando uma série de carros é levada aos céus por um tufão de areia - não há como fazer isso sem ecrãs verdes.

Contudo, toda a perseguição que envolve dezenas de carros, combinada com as sequências de ação arrepiantes que envolvem motas, explosões, uma ‘banda da morte’ a tocar em cima de um camião, uma guitarra elétrica que é também um lança-chamas e ainda constantes momentos de combate por cima dos veículos… Essa perseguição foi 100% criada num deserto escaldante. Tudo isto com um constante sentimento de movimento a alta-velocidade (brilhante edição de Margaret Sixtel), pautado por uma banda sonora frenética (Junkie XL e Tom Holkenborg) e composto por uma rara qualidade fotográfica (John Seale). Mad Max: Fury Road é uma viagem memorável de tão intensa, e as pessoas que tomaram a acertada decisão de o experienciar no cinema seguramente que ainda se lembram da tensão dos primeiros 45 minutos em que o filme simplesmente não abranda.

É difícil ‘vender’ um filme que aparentemente depende apenas das suas valências técnicas – o próprio Tom Hardy teve dificuldade com o processo. Mas Mad Max: Fury Road, pela sua crueza, transporta-nos para um universo pós-apocalíptico duma forma altamente sensorial. É muitas vezes grotesco e constantemente brutal, mas também profundamente subtil na passagem da sua narrativa e mensagens subliminares. Esse foco, num filme tão dependente de caos, é algo que só um bom argumento consegue alcançar.

 

Her


her  

O filme que quebrou o tabu do “apocalipse robótico”. O desenvolvimento da inteligência artificial é, ainda hoje, muitas vezes retratado como uma ameaça à humanidade. Her, de Spike Jonze, é um dos melhores contra-argumentos. O filme, de 2014, decorre numa realidade não muito distante, onde a tecnologia não domina, mas convive com o dia-a-dia da humanidade – e não apenas como uma ferramenta, mas sim como uma companhia.

Talvez um dos pontos mais memoráveis do filme seja a performance de Scarlett Johansson – ou, antes, a voz de Scarlett Johansson, que dá uma verdadeira vida a Samantha, a inteligência artificial. É compreensível que os prémios mais importantes de representação excluam os chamados ‘voice-actors’, mas a emoção que Scarlett consegue desencadear com aquela sua voz, terna e áspera, é quase palpável.

A destacar também em Her, o ambiente. Este universo de Jonze não é como outras realidades paralelas que se passam a anos-luz da nossa, com tecnologia superdesenvolvida e afins. Her é altamente íntimo e os temas do filme são demasiado próximos para não nos relacionarmos com aquela realidade. Há uma profunda ternura e simplicidade em Her, muito graças aos maravilhosos acordes de Arcade Fire e a uma vincada cultura minimalista; uma sensação passada também duma forma mais sensorial pela palete de cores escolhida pelo diretor de fotografia, Hoyte van Hoytema. É um bom filme para ‘espantar espíritos’. Depois de duas gerações de cinema empenhadas em associar o progresso tecnológico ao apocalipse, esta é capaz de ser uma boa altura para ver um filme que nos diz que no futuro vai ficar tudo bem!

 

Parasitas


parasitas 

É raro vermos a indústria (e o público) abraçar projetos fora do circuito comercial de Hollywood da forma que Parasitas foi abraçado. O filme sul-coreano, escrito e realizado por Bong Joon-Ho (Snowpiercer e The Host), foi um absoluto sucesso em todos os campos – junto da crítica, do público e também um sucesso de bilheteira, além de ter feito história nos Óscares, arrecadando 4 prémios, incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Original. Parasitas foi o primeiro filme estrangeiro a erguer o prémio máximo e é visto por muitos cineastas, críticos e profissionais do meio como o mais importante vencedor da História da cerimónia, pelas possibilidades que abre para o futuro do Cinema.

Especificamente sobre o filme, esta sátira social é um ensaio brilhante sobre diferentes classes sociais na Coreia do Sul, mas o que efetivamente o destaca é a forma como está contado. Parasitas começa por ser uma espécie de comédia, tornando-se gradualmente numa tragédia demasiado familiar para ficarmos indiferentes. Principalmente com a sensibilidade do argumento de Bong, que é audaz ao ponto de criar momentos empáticos com ambas as famílias, a da classe mais elevada e da mais baixa.
PS: não é um dos aspetos mais falados do filme, mas Parasite é também uma excelente demonstração do papel determinante da edição num filme, como podem confirmar neste vídeo.

 

Joker 


Joker 

O Festival de Cinema em Veneza é uma referência desde 1962 e o seu prémio máximo, o Leão de Ouro, foi atribuído a grandes realizadores(as) como Sofia Coppola, Wim Wenders, Luis Buñuel, Agnès Varda, Jean-Luc Godard, Aleksandr Sokurov, Darren Aronofsky e Alfonso Cuarón, entre tantos outros. Quando, em setembro de 2019, o prémio foi atribuído a Todd Philips (realizador da saga A Ressaca) pela realização dum filme inspirado numa banda desenhada de Joker, o mundo do Cinema parou. Foi a partir daí que Joker começou a assumir um protagonismo que viria a manter-se durante meses, culminando na nomeação para 11 Óscares (foi o filme mais nomeado desta edição).

A verdade é que depois da estrondosa performance de Heath Ledger em Dark Knight, um dos mais amados filmes de Christopher Nolan, (e depois da trágica morte do ator), será que alguém estava sequer preparado para outro Joker tão cedo? Saber-se que o papel caberia a Joaquin Phoenix nutriu alguma expectativa, mas mesmo assim, até ao trailer o entusiasmo era relativamente moderado. Pois bem, Joaquin Phoenix não desapontou. O seu Joker é profundamente especial, diferente do de Ledger, mas não menos autêntico.

Neste filme, vemos a origem daquele que se viria a tornar num dos vilões mais enigmáticos da história da banda desenhada. Mas mais do que um filme sobre um vilão, Joker de Todd Philips é um ensaio sobre as consequências duma sociedade em crise e mal preparada para lidar com doenças mentais.

 

The Revenant

 

the revenant 

Temos duas personagens num frente a frente. Começa o confronto. Após golpes, socos e safanões, as personagens caem sobre si mesmas. Uma rebola para o lado e apoia-se numa mão para se levantar. A outra desfere-lhe um golpe com um pequeno machado e saltam dois dedos. A câmara acompanha a personagem que ficou ferida; os dois dedos e um rasto de sangue ficam para trás sobre a neve manchada de vermelho. Há um gradual close-in na mão agora incompleta e com uma leve corrente de sangue. Tudo isto num plano contínuo.

The Revenant é um daqueles filmes que, volta e meia, nos faz saltar da cadeira e perguntar “mas como raio é que eles fizeram isto?!”. Para quem ainda não viu, acreditem que esta sensação é constante.

Além de ser um belíssimo filme, filmado apenas com luz natural durante as escassas horas diurnas de um Alasca invernal (graças ao génio de Emmanuel Lubezki), The Revenant fica para a história por duas razões. A primeira é aquela que ficou conhecida como “a cena do urso”. Foi uma sensação única estar no cinema com a certeza de estar a assistir a um momento histórico: quando Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é atacado por um urso, isto num plano contínuo. Uma execução brilhante que cruza digital com efeitos práticos. A segunda razão é bastante simples: finalmente, Leonardo DiCaprio vence um Óscar, terminando assim um dos memes mais partilhados por essa Internet fora.

Agora fora de brincadeiras, Alejandro González Iñárritu é um génio e, depois de Birdman, com The Revenant tornou-se num dos poucos realizadores a vencer duas vezes o Óscar de Melhor Realizador. Nessa lista, constam apenas mais dois nomes: John Ford e Joseph L. Mankiewicz.



Avengers (Infinity War & Endgame)


avengers infinity war endgame 

Os irmãos Joe e Anthony Russo conseguiram o inesperado: fazer um final consensualmente aceite como extraordinário entre fãs e crítica para a maior saga da História do Cinema. O Universo Cinemático da Marvel conta com 23 filmes (aglomerando um total de 22.5 mil milhões de dólares nas bilheteiras). Os fãs e a crítica não morreram de amores pela totalidade dos filmes, mas os dois últimos Avengers serão seguramente recordados durante anos.

Infinity War tinha a tarefa desafiante de pegar em mais de 20 protagonistas e num super-vilão para fazer um filme que rebentasse expectativas. E assim foi. É inacreditável que os irmãos Russo tenham conseguido levar a história a bom porto com tantas personagens e enredos, um desafio que se manteve em Endgame, com a pressão extra de terminar uma saga de 11 anos.

E é por essa razão que estes últimos filmes de Avengers têm de estar nesta lista. Infinity War e Endgame não são apenas blockbusters de ação trepidante e com um ritmo avassalador, são uma revolução de estrutura narrativa. Apesar de tudo o que estes filmes tinham de fazer, fizeram-no com uma especial dedicação a momentos de construção de personagem e enredo, nunca comprometendo a história e sem ceder a facilitismos. O tom é constantemente preenchido com uma urgência que é constantemente diluída por momentos de comédia, gerando-se um balanço perfeito que faz com que 3h de filme se passem com entusiasmo.

 

Inception – A Origem


capa 

Alguém se lembra de ver o primeiro trailer de Inception? Eu estava no cinema a ver um filme do qual não me recordo, mas recordo-me desse trailer. Recordo-me de estar a ver algo completamente diferente de tudo o que alguma vez vira, com um ambiente muito próprio e, claramente, com umas regras muito particulares. O Inception foi um daqueles filmes que gerou curiosidade, debate e muito entusiasmo apenas com o trailer, como volta e meia acontece com aqueles raros livros que nos agarram logo com a primeira frase.

Já não era novidade para ninguém que Christopher Nolan se viria a tornar (se é que não o era já) num dos mais relevantes realizadores da sua geração. Ainda assim, talvez nem mesmo os seus fãs mais acérrimos, que o acompanhavam desde a obra-prima que é Memento, estivessem totalmente preparados para o que Inception acabou por representar.

Trata-se de um filme único, que agrega elementos de diferentes géneros – ficção científica, espionagem, ação, drama –, isto agregado num conceito muito singular que é a implantação duma ideia na mente duma pessoa; quase como um time-heist, mas da mente.

A metodologia da realização de Nolan é o que o define, e este é um universo paralelo em que os sonhos são um caminho alternativo e com muitas possibilidades; pelo menos para aqueles que tiverem a capacidade cognitiva para tal. Ou seja, o realizador e argumentista criou uma base bastante sólida para estabelecer as regras do seu universo. Pode parecer um conceito megalómano, mas a verdade é que tudo parece, simultaneamente, verosímil, por vezes até com sustento de elementos científicos, tal é o empenho desta equipa em tornar cada cena num ‘momento’.

Inception é um dos incontornáveis. Quem nunca viu devia ver e os que já viram sabem que nunca é tarde para rever. Talvez seja uma das melhores ideias para espevitar a tua quarentena com uma injeção de relevância – uma maratona de Christopher Nolan! Sim, porque há outros filmes dele desta década que também podiam constar desta lista, como Dunkirk!

 

Get Out

 

get out 

Seguramente não existiram muitos filmes a inclinar ao terror a ter um impacto de Get Out e menos ainda terão conseguido a proeza de ser nomeados para Melhor Filme. Get Out, contudo, não só conseguiu 4 nomeações em categorias principais (argumento, ator principal, realizador e melhor filme), como chegou mesmo a vencer o prémio de Melhor Argumento Original. Tudo graças ao brilhantismo de Jordan Peele, um dos jovens mestres do Horror contemporâneo, assim como Ari Aster  (Hereditary e Midsommar) e Robert Eggers (The Witch e The Lighthouse)

Get Out é um filme super completo, pois entre as linhas do suspense do seu enredo reside uma mensagem focada em racismo, que é pontualmente alimentada no decorrer do filme. Tudo isto é trabalhado duma forma muito subversiva, que combina perfeitamente com a metódica e sinuosa realização de Jordan Peele. Se não viste, vê!

 

Inside Out – Divertidamente


Inside-Out-2015-Disney-Movie 

Para todos os que acreditam que os filmes de animação são só para crianças: Inside Out- Divertidamente, da Pixar, foi apresentado no Festival de Cannes e foi recebido com uma ovação cataclísmica que deixou tanto críticos como fãs do estúdio em pulgas. Como é hábito, a Pixar não desiludiu. Inside Out é um daqueles filmes que na verdade são dois; temos a clássica aventura dum filme de animação, que os miúdos acompanham com gargalhadas e entusiasmo, mas depois, nas entrelinhas, há todo outro filme, mais calculado, denso e com uma mensagem muito forte, ao alcance apenas de adolescentes e adultos. Não é fácil conduzir um argumento desta forma, mas a Pixar fá-lo há anos com uma destreza natural e este filme é um exemplo gritante disso mesmo.

No fundo, Inside Out é um ensaio sobre a psicologia e emoções humanas, isto através duma metáfora belissimamente construída e materializada com o clássico engenho da Pixar, não apenas no texto, mas também na imagética que conseguem dar aos elementos com que trabalham. O filme decorre praticamente todo dentro da cabeça de Riley e é conduzido pelas suas emoções; a alegria, o medo, a raiva, a tristeza e o nojinho, são estes os verdadeiros protagonistas.

É uma viagem mirabolante e uma conquista narrativa surpreendente que vale a pena ver, ou rever – ou ainda achas que vai ser um filme para miúdos? :)

 

Quentin Tarantino

 

django unchained

 

Tarantino lançou 3 filmes nos últimos 10 anos e não conseguimos eleger um. Entre Django: Unchained, The Hateful Eight e Once Upon a Time… in Hollywood o que dizer? Django é provavelmente o mais ambicioso. Um filme que consegue ser uma profunda homenagem aos clássicos spaghetti westerns dos anos 60 e 70, contada na perspetiva não dum cowboy ou dum ‘herói’, mas na perspetiva dum escravo. Um filme que sobreviveu à controvérsia sobre a forma “demasiado violenta” de como a escravatura é representada, e um filme que nos oferece uma deliciosa cena em que um escravo dá a volta a 3 capangas brancos (um deles é o próprio Tarantino) com pura lábia e por força do seu intelecto. Simplesmente maravilhoso e pautado, como é hábito nos filmes de Tarantino, por uma banda sonora escolhida a dedo.

No caso de The Hateful Eight (que, por si só, é também um dos melhores títulos dos últimos 10 anos), é o filme mais genuinamente engraçado da carreira do realizador. Tarantino é amplamente considerado o “Rei” dos diálogos; quando alguém apresenta duas das personagens mais icónicas de sempre com um diálogo sobre hamburgers, “Rei” parece um título adequado – foi uma referência a Pulp Fiction, se não apanharam está na altura de rever. Mas, voltando ao tópico, em Hateful Eight Tarantino exibe a sua capacidade de escrever diálogo a todo um outro nível, criando um filme muito alinhado com o formato duma peça de teatro – uma hipótese que chegou mesmo a estar em cima da mesa. As interações entre o grande leque de personagens são simplesmente brilhantes, com momentos de muita tensão e, ao mesmo tempo, com momentos de farta comédia. Toda a ação sequencial é catalisada por diálogo, há inclusivamente um momento de “exposição do caso”, à lá Hercule Poirot. São quase 3 horas de tarantinices, filmadas com uma super-câmara de 70mm!

Sobre “Once Upon a Time… In Hollywood”, dizer que é uma das maiores produções de Tarantino, que conseguiu não apenas fechar a Hollywood Boulevard, mas reconstruir a icónica rua à sua imagem da década de 60. Não, os longos planos de personagens a andarem de carro numa Hollywood dos anos 60 não são trabalhados digitalmente, Tarantino fez tudo acontecer. Além disso, este filme é uma sentida carta de amor do realizador ao Cinema. Mas, mais ainda, o filme é também um comentário alternativo a um dos acontecimentos mais impactantes da década de 60 e que terá moldado a socie-elite americana na década seguinte – os assassinatos protagonizados pela família Manson. Não nos vamos estender muito sobre este ponto, para não estragar surpresas a quem ainda não tenha visto o filme, mas, considerando que o filme decorre durante o ano de 1969, Tarantino não podia deixar de terminar o terceiro ato com uma cena à sua altura – e que cena.

 

Drive


drive

 

É indiscutível que nos encontramos (desde há uns anos) num momento de puro revivalismo cinematográfico dos anos 70 e 80. São exemplos disso filmes e séries como: Stranger Things, Os Guaridões da Galáxia, It, Sing Street, It Follows, Black Mirror: Bandersnatch, Kung Fury, Mandy, John Wick, Dark e, claro, Drive. Isto tornou-se um movimento que, de alguma forma, terá contribuído também para a vaga de reboots e remakes que têm inundado as salas de cinema; quase como se a nostalgia se tivesse tornado num género cinematográfico.

Muitos acreditam (1, 2) que Drive terá sido um dos protagonistas da génese deste movimento. Não tanto pelas mesmas razões que fazem de filmes de super-heróis um exemplo disto, mas, antes, pelo seu carácter, pelo seu ambiente e, fundamentalmente, pela sua excelente banda sonora, que tem uma predominância de synthwave, clássico dos anos 80. Há outros filmes, como Super 8, que podem também ser considerados os pioneiros para este revivalismo, mas a verdade é que Drive teve um impacto bastante diferente. Trata-se dum filme independente que deixou a sua marca na award season, tendo sido nomeado em categorias capitais nos BAFTA (Melhor Filme, Melhor Realizador) e até para a Palma de Ouro, em Cannes, sendo que nesse festival Nicolas Winding Refn acabou mesmo por vencer o prémio de Melhor Realizador.

Com o tempo, “Drive” tem vindo a sedimentar um estatuto de obra-prima moderna. É um daqueles filmes em que muito pouco é dito e tudo é mostrado, com recurso a um excelente trabalho de câmara e um exímio trabalho de luz. Após várias revisões do filme, é sempre possível descobrir algo que antes não estava lá, detalhes, pequenos simbolismos (um aspeto que é determinante para a narrativa do filme, simbolismos), e tudo isto culmina numa verdadeira experiência cinematográfica. Há um profundo sentimento de melancolia, um jogo conceptual (nem sempre equilibrado) entre o que faz de nós heróis ou vilões e, acima de tudo, uma constante curiosidade para desvendar mais uma peça deste sinuoso puzzle. É um verdadeiro desafio, pois vão haver momentos em que achas que já percebes o filme, que supões saber o que vai acontecer a seguir, mas ele engana-te e vira-se de repente – como se estivesses a tentar apanhar um escorpião :)

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