Cinema / Séries

Os momentos mais icónicos dos filmes de Tarantino

BlogFNAC3
Por BlogFNAC3
Em 13/08/2019
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Os momentos mais icónicos dos filmes de Tarantino

Com a estreia do 9º (e talvez penúltimo) filme a aproximar-se – "Once Upon a Time… in Hollywood" –, fizemos uma compilação dos 14 momentos mais icónicos dos filmes de Tarantino

 

Pulp Fiction – Burger Talk

 

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É quase fácil imaginar Quentin Tarantino no escritório, um vinil classy dos anos 60 a tocar em som de fundo, a indagar-se, “como é que eu vou apresentar a dupla de mafiosos mais icónica da cultura pop? Já sei… Só se estiverem num carro a falar sobre hamburgers.”

Há algo que tem sido uma constante nos filmes de Tarantino: a humanização dos vilões. Independentemente de Jules e Vincent (Samuel L. Jackson e John Travolta) estarem a caminho de um massacre para reaver a valiosa mala do seu chefe, isso não impossibilita que tenham uma conversa descontraída sobre absolutamente nada – tal como dois colegas de trabalho que se encontram por acaso no autocarro das 8h30. 

O mais extraordinário é mesmo o facto de serem os hamburgers os principais responsáveis pelo ambiente de esmagadora tensão que se faz sentir na cena seguinte. São cenas como esta que terão feito de Pulp Fiction o principal responsável pelo cognome do argumentista e realizador – The King of Dialogue.

 

Pulp Fiction –Ezekiel 25:17

 

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Nesta cena, Jules (uma das personagens mais icónicas, se não a mais icónica, de Samuel L. Jackson) cita a passagem bíblica Ezekiel 25:17 momentos antes de ditar o destino da pessoa a quem as palavras são direcionadas – nas palavras do próprio, “I just thought it was some cold-blooded shit to say to a motherfucker before I popped a cap in his ass.”

Além do extraordinário momento de representação de Jackson e do incrível conceito de vermos um capanga da máfia recitar a bíblia em jeito de passagem de juízo final, não há muito mais a acrescentar <3

“And you will know my name is the Lord, when I lay my vengeance upon thee!”

 

Pulp Fiction – Jack Rabbit Slim’s Twist Contest

 

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Na verdade, este momento começa antes: começa numa conversa sobre o quão perigoso é levar a mulher do chefe a jantar; num jantar pautado por uma brilhante tensão entre um homem e uma mulher que se sentem de certa forma incomodados pela presença do outro; e, acima de tudo, esta cena começa no silêncio desconfortável.

Podemos ir ainda mais longe e dizer que esta cena começa no Saturday Night Fever, provavelmente o pico da carreira de John Travolta, até Quentin Tarantino o trazer de volta ao palco para dançar com Uma Thurman.

 

Reservoir Dogs – Torture dance

 

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A personagem de Vic Vega (Michael Madsen), alegadamente o irmão de Vincent Vega de Pulp Fiction tortura um oficial da polícia – nas palavras do próprio, “not to get information… It’s amusing to me, to torture a cop.” Mas como se trata de uma cena icónica de Tarantino, independentemente de se tratar de uma violenta cena de tortura, há algo que não pode faltar: música. A dança de Madsen ao som de “Stuck in the Middle with You”, dos Stealers Wheel, é simplesmente inesquecível de tão perturbadora.

Mais perturbador ainda, é o facto de, como é costume em projetos de Quentin Tarantino, esta cena ter sido improvisada. No guião dizia apenas “Mr. Blonde maniacally dances around” e Michael Madsen interpretou à sua própria maneira.

 

Reservoir Dogs – Like a virgin

 

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De alguma forma, filmes e séries habituaram-nos à ideia de que máfia implica preto e branco. Camisas brancas, fatos pretos e gravatas pretas – talvez desde antes de “O Padrinho”. Ora, na cena de abertura de Reservoir Dogs, temos Mr. White, Mr. Orange, Mr. Brown, Mr. Blonde, Mr. Pink, Mr. Blue e Nice Guy Eddie (todos vestidos de acordo com o bom rigor dos mafiosos) a saírem em conjunto de um diner americano. Uma cena onde, antes, as personagens discutem o significado real da letra de “Like a Virgin”, de Madonna, e a importância de dar gorjeta num restaurante – na verdade, no final desta cena, não há grandes razões para assumirmos que estas personagens são “vilões”. Tarantino na sua força máxima enquanto argumentista, realizador e ator – sim, ele é o Mr. Brown, que, nas suas palavras, “it’s a little too close to Mr. Shit”.

 

Kill Bill Vol.1 – The Bride vs The Crazy 88’s

 

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Kill Bill é a carta de amor de Tarantino ao cinema Oriental, ao mundo das artes marciais e à alma dos Samurai. Esta cena é apenas o expoente máximo dessa carta e dessa homenagem. Provavelmente uma das melhores cenas de luta da história do Cinema – são 10 minutos de combos incríveis, momentos a preto e branco, planos em contra-luz, desmembramentos e sangue derramado por espadas Samurai.

 

Kill Bill Vol.2 – Pai Mei

 

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No segundo filme da épica história de Kill Bill, somos apresentados a Pai Mei, o severo mestre de artes marciais que treinou The Bride (e o próprio Bill) e lhe ensinou tudo o que sabe. Esta personagem serve mais uma vez de ponte entre Tarantino e o cinema Oriental e ao longo desta cena podemos ver o brutal treino imposto por Pai Mei. Dois pontos a destacar e que ficaram para a posteridade: a forma única como Pai Mei cofia a sua barba e um murro de curta distância que faz um dano tremendo. 

 

Kill Bill Vol.2 – Superman Dialogue

 

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E eis que chegamos ao final showdown de uma das histórias de vingança mais impactantes do Cinema – o momento em que Beatrix Kiddo (Thurman) e Bill (David Carradine) se reencontram. Todos queremos saber o mesmo: porquê? Há quem diga que o “combate” entre os dois é ‘desapontante’. Sim, se estivermos à espera de uma cena como a do final do primeiro filme, mas trata-se de Quentin Tarantino, o diálogo é um confronto tão ou mais pungente que um clash de 88 espadas.

É nesse momento que Bill explica que terá interferido com o casamento de Beatrix (e com o seu futuro) fazendo uma analogia com a personagem Clark Kent (Super-Homem). Basicamente, Bill afirma que Beatrix Kiddo nunca seria capaz de se integrar num mundo normal, pois ela não é normal, ela é uma assassina, uma “natural born killer” e por isso mesmo o seu futuro estaria condenado. Tal como o Super-Homem. Ao contrário de todos os outros super-heróis, o disfarce do Super Homem não é uma capa ou um fato, mas sim Clark Kent – um humano. Spider-Man, Batman, Iron Man… esses são na verdade Peter Parker, Bruce Wayne e Tony Stark, da mesma forma que Clark Kent é na verdade o Super Homem.

Agora digam-nos: isto é ou não é, o maior drop the mic de sempre…? 

 

Inglourious Basterds – LaPadite 

 

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Logo na cena inicial somos apresentados a uma das melhores personagens do universo de Tarantino, o sádico, porém calculista e oportunista Coronel Hans Landa, também conhecido como “The Jew Hunter”, interpretado pelo enorme Christoph Waltz. Mais uma vez Tarantino cria um ambiente simplesmente acutilante.

Importante referir: só temos Inglourious Basterds por uma questão de sorte. Tarantino disse sempre que nunca avançaria com o filme se não encontrasse o ator certo para o papel de Hans Landa, de acordo com o realizador, uma das melhores personagens que ele alguma vez esreveria. As condições para a audição eram exigentes por si só, uma vez que o papel implicava alguém fluente em alemão, inglês e francês. Muitos dos atores que vieram, nas palavras de Tarantino numa entrevista ao New York Times, a maioria deles era competente, “but they didn’t get my poetry”. Foi nessa altura que o realizador começou a ponderar a possibilidade de ter escrito uma personagem que, simplesmente, não era representável – até chegar Christoph Waltz.  

 

Inglourious Basterds – The Bear Jew

 

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Donny Donowitz (Eli Roth) é um judeu enorme que usa um taco de Baseball para destruir nazis à pancada. Nas palavras de Aldo Raine (Brad Pitt), “Watchin' Donny beat Nazis to death is the closest we ever get to goin' to the movies."

É preciso dizer mais?

 

Django Unchained – O sangue de DiCaprio

 

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A personagem de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio) descobre a verdadeira razão da visita de Dr. King Schultz (Christoph Waltz) e de Django (Jamie Foxx) ao rancho de Candyland. A cena ficou extremamente famosa pois foi improvisada – a meio do seu discurso, DiCaprio cortou-se num copo e começou a sangrar bastante da mão, no entanto, em vez de parar a cena decidiu continuar o momento, falando enquanto retira pedaços de vidro da mão. A cena foi tão intensa e cativante que no final da gravação Tarantino decidiu usar a ideia mas com mais sangue falso, um clássico Tarantino.

 

Django Unchained – O Massacre de Candyland

 

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Um dos últimos momentos da personagem Dr. King Schultz e um dos mais marcantes do filme. Após terem negociado a venda de Broomhilda (Kerry Washington), a única condição que Calvin Candie tem para finalizar o acordo é que Schultz lhe aperte a mão. Parece um pormenor idiota, deitar tudo a perder por causa de um aperto de mão, certo? Mas as personagens de Tarantino são altamente idiossincráticas – na perspectiva de Schultz, um aperto de mão é um símbolo de mútuo respeito, algo pelo qual a personagem não está disposta a perdurar, nem que isso implique a sua morte. E eis que na simulação de um aperto de mão, Schultz saca de uma arma, literalmente, da manga – “I’m sorry… I couldn’t resist”.

 

The Hateful Eight – Intro 

 

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Nesta oitava obra de Tarantino vemos uma das melhores intros do seu universo cinematográfico. A fotografia é belíssima e assistimos a um longo plano contínuo que é nada mais que um zoom-out de uma cruz coberta de neve, como se nem algo divino nos pudesse ajudar perante o nevão que se aproxima a largos passos.

Mas o mais importante desta cena é a música. Um tema criado por Ennio Morricone, talvez o compositor mais constante da carreira de Tarantino, que usou inúmeros temas dele, fundamentalmente de westerns dos anos 60 e 70. Morricone estava retirado do Cinema, mas Tarantino convenceu-o a fazer uma última banda sonora que lhe valeu o primeiro Óscar.

O tema é extraordinário e podes ouvi-lo aqui

 

Death Proof – O Acidente

 

Há cenas que valem mais que mil palavras:

 

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