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Thor: Ragnarok prova que o maior super-poder é o sentido de humor

ExpertFnac
Por ExpertFnac
Em 26/10/2017
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Thor: Ragnarok prova que o maior super-poder é o sentido de humor

destaque

Chris Hemsworth é genial, mas o realizador Taika Waititi é a estrela de Thor Ragnarok. Esta review revela menos sobre o plot do filme do que o trailer, por isso estão seguros.


thorA ideia de que “with great power comes great responsability” parece, durante muito tempo, ter moldado o formato dos filmes de super-heróis. Personagens boas ou maquiavélicas, enredos demasiado complexos e narrativas que se levam demasiado a sério: foi com isto que a Marvel e a DC Comics quase secaram por completo o universo dos super-heróis – obrigado, tio Ben. Convenhamos que o sucesso de Christopher Nolan com a fria e negra saga Dark Knight não terá ajudado, mas a verdade é que Nolan só há um e os super-heróis podem (e devem) usar e abusar daquele que se tem vindo a tornar no seu maior super-poder: o sentido de humor

Apesar de Thor (Chris Hemsworth) ter um papel fundamental na capitalização dessa comédia, o realizador neozelandês Taika Waititi (que tem também uma pequena parte hilariante) acaba por ser a estrela deste filme. É dele a visão que transforma o taciturno universo de Thor no filme mais colorido e (argumentavelmente) mais engraçado da Marvel. James Gunn, realizador do prestigiante Guardians of the Galaxy, fez uma curta review na sua página de Facebook, onde afirma precisamente isso, alegando até que Guardians of the Galaxy 2 parece um filme a preto e branco em comparação. 

 

Obrigado por Taika Waititi, Marvel

cinematography

A Marvel tem sabido gerir os seus filmes, dando o espaço criativo necessário a realizadores bastante singulares. Filmes como Guardians of the Galaxy e Deadpool foram importantíssimos na redefinição dos ‘heróis’, uma vez que desconstroem esse e outros conceitos que as versões mais clássicas dos super-heróis tanto tentam preservar. Guardians é um assumido anti-arquétipo que, cena após cena, desmonta aquele estatuto de herói épico-perfeito-infalível-e-moralmente-orientado-para-o-bem – Peter Quill vence Ronan, basicamente, graças a uma dança! Sim, Thor Ragnarok joga nesse campeonato também, e isso só é possível porque um realizador tão único como Taika Waititi teve a liberdade criativa necessária para dar forma a algo tão orgânico como o mundo Sakaar.

Sim, Thor Ragnarok é um dos filmes mais divertidos do ano, mas isso não o impede de ser visualmente impressionante. O ambiente é quase palpável, as cores, as texturas e a banda sonora permitem que entremos numa extensão de um lugar muito particular dos anos 80 techno. Aliás, a música do último trailer indica precisamente isso. Se jogares na minha equipa e não quiseres ver o trailer para evitar spoilers, podes ouvi-la aqui

 

Divertido até ao fim 

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A escolha deste realizador em concreto, para este filme especificamente, não foi de todo ao acaso. Estes filmes não valem propriamente por aquilo que acontece – a história é sempre bastante redonda –, mas antes pelo caminho que os realizadores, argumentistas e atores encontram para inovar e surpreender os fãs, isto dentro de um formato que é altamente limitado – e tanto a Marvel como Taika Waititi perceberam que a saga Thor precisava de uma revitalização. Com Ragnarok, esse caminho passa, então, por uma divertida e constante desconstrução, que acontece desde a primeira cena. 

O nosso deus nórdico encontra-se enrolado em correntes de ferro enquanto um demónio cornudo – Surtur (voz por Clancy Brown) – declama um discurso meta-expositivo e agoirento que prevê um pesado destino que se irá abater sobre Asgard; isto enquanto Thor, pendurando de cabeça para baixo, balouça vagarosamente: “Hang on a minute… coming round again.”

Essa cena estabelece o tom que compassa o filme do início ao fim e todas as personagens são divertidas – principalmente Korg (Taika Waititi), o kronan mais engraçado do universo. E mesmo Hela (Cate Blanchett), que tem sido referida como uma das melhores vilãs do universo cinemático da Marvel, não escapa sem umas gracinhas. Há muito que está estabelecido o facto de Blanchett não saber ser uma atriz menos boa (exceto naquele Indiana Jones), mas neste filme esta mulher arrasa com deuses... 


O mais incrível Hulk de sempre 

A minha veia de amante de cinema faz-me ter pena por não ter conseguido ir ver este filme sem ter a mais pequena ideia de que, do nada, um Hulk irromperia ferozmente por uma arena adentro com dois machados na mão. Teria sido a maior surpresa do ano, só que não. Ainda assim, nada nos prepara para a presença de Hulk/Bruce Banner (Mark Ruffalo) neste filme – mais do que um fator de espetacularidade incontornável, Hulk é uma peça fundamental para o fio condutor da diversão do filme. Há cenas que vos vão levar à gargalhada. E mais não se diz. 

hulk

Além de tudo isto, este é um daqueles filmes que quase valem pelos cameos. Obviamente que não vamos referir absolutamente nada para não estragar a surpresa a ninguém, mas preparem-se para ficar de queixo caído ainda antes de fechado o primeiro ato. 

Thor Ragnarok tem sido amplamente reconhecido pela crítica, tendo neste momento uma cotação de 8.4 no IMDB, 99% no Rotten Tomatoes e 72% no Metacritic, mas mais do que pelos números, este filme vale pelas gargalhadas. 

 

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