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Tudo o que precisas de saber antes de leres a sequela d'A História de Uma Serva

BlogFNAC
Por BlogFNAC
Em 24/03/2020
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Tudo o que precisas de saber antes de leres a sequela d'A História de Uma Serva

Prepara-te para Os Testamentos com um resumo de A História de Uma Serva.

 

Chama-se Os Testamentos e é um dos grandes fenómenos literários dos últimos anos. O público concedeu-lhe o título de melhor obra de ficção de 2019, nos Goodreads Choice Awards. A crítica distinguiu-o com um Man Booker, o segundo na carreira de Margaret Atwood. E os elogios continuam a chegar, um pouco por todo o mundo.

 

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Sequela do clássico distópico A História de Uma Serva, originalmente publicado em 1985, Os Testamentos decorre 15 anos após os eventos descritos na narrativa original, focando-se desta vez em três mulheres – uma das quais a Tia Lydia. “A inspiração para este livro partiu daquilo que os leitores me foram perguntando sobre Gileade e o seu funcionamento interno”, explica Atwood. “Bem, nem toda! A restante inspiração, recolhi-a do mundo em que vivemos.”

 

Queres ler Os Testamentos mas já não te lembras bem de tudo o que aconteceu no primeiro livro? Não temas: embora não substitua a leitura completa, fazemos-te um breve resumo de tudo o que precisas de saber sobre A História de Uma Serva.

 

Aviso: O texto que se segue contém spoilers importantes do livro A História de Uma Serva.

 

A história tem lugar na República de Gileade, um estado fundamentalista que, anos antes, fora um país livre. Nesses tempos, a nossa narradora era casada e tinha uma filha pequena. Trabalhava numa biblioteca, a digitalizar livros, e fazia a sua vida com tranquilidade. Um dia, após um atentado que vitima o Presidente e pelo menos uma boa parte do Congresso, alegadamente levado a cabo por “fanáticos islâmicos”, o país declara o estado de emergência.

 

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"Foi então que suspenderam a Constituição. Disseram que ia ser temporário. Nem sequer houve motins nas ruas. As pessoas ficavam em casa à noite, a ver televisão, à procura de uma orientação. Nem sequer havia um inimigo a que se pudesse apontar o dedo."

  

Passam-se semanas e, por supostos motivos de segurança, as fronteiras começam a ser fechadas e os jornais censurados ou fechados. Uma tarde, o diretor da biblioteca é visitado por dois militares armados. Pouco depois, comunica a todas as suas funcionárias que estão despedidas. As más notícias continuam quando a narradora percebe que a sua conta bancária foi congelada. De acordo com as novas leis, as mulheres deixam de poder ter bens.

 

"Houve manifestações, claro, imensas mulheres e alguns homens. Mas foram mais pequenas do que se poderia pensar. Acho que as pessoas tinham medo. E quando se soube que a polícia, ou o exército, ou fosse lá quem fosse, abriria fogo mal começassem as manifestações, estas deixaram de se fazer."

 

A narradora tenta escapar para outro país, com o marido e a filha, mas acabam por ser capturados e separados pelos militares. É a última vez que vê a sua família. O casamento é oficialmente anulado e ela é enviada para um aterrador instituto de reeducação, o Centro Vermelho, comandado pela não menos aterradora Tia Lydia. Aqui, as mulheres são ensinadas a servir os homens.

 

"Sois uma geração de transição, dizia a Tia Lydia. É mais duro para vós. Sabemos que sacrifícios se esperam de vós. Vai ser mais fácil para as que vierem depois de vós. Aceitarão os seus deveres de bom grado."

 

Terminada a “lavagem cerebral”, a narradora é transferida para casa do Comandante, Fred, e da sua esposa, Serena Joy. Numa altura em que a infertilidade impera, a sua única função é ter um bebé. Para isso é obrigada, todos os meses, a ter sexo com o Comandante. É também nesta altura que recebe o seu novo nome, revelador do novo conceito da mulher como objeto de posse: Defred.

 

"Aquilo que decorre neste quarto, debaixo do dossel prateado de Serena Joy, não é excitante. Não tem nada a ver com paixão, amor ou romance, nem nenhuma das outras ideias que dantes nos faziam vibrar."

 

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Apesar da tenebrosa nova realidade, Defred acaba por formar uma relação mais próxima com o Comandante, que a convida secretamente para jogar Scrabble durante as noites. Apreciador da sua companhia, este chega mesmo a levá-la a visitar um bordel. Aqui, Defred reconhece Moira, outrora a sua melhor amiga, agora a trabalhar como prostituta.

 

"Não quero que ela seja como eu. Que ceda, que vá com a corrente, que salve a pele. Dela quero galantaria, fanfarronice, heroísmo, uma luta solitária. Algo que a mim me falta."

 

Quando a esperança se parece começar a esvair por completo, Defred descobre, através de Deglen, uma serva com a qual costuma conviver, que existe um grupo de resistência chamado Mayday. No entanto, Deglen acaba por desaparecer de um dia para o outro, sendo substituída por outra mulher que adota o seu nome e função.

 

"Fui estúpida, mais uma vez. Não me passou pela cabeça antes, mas agora vejo-o: se a Deglen foi apanhada, a Deglen pode falar, de mim, entre outras. Não vai conseguir evitá-lo."

 

Uma noite, Nick, o motorista do Comandante, de que Defred também se tornou mais próxima, anuncia-lhe a chegada de um carro com supostos membros da resistência. Diz-lhe que estes a vão salvar, parecendo deixar implícito que ele próprio pertence à resistência. Os homens apresentam-se, contudo, como elementos da polícia secreta e alegam que a vão levar devido a uma eventual violação de segredos de Estado. Defred deixa a casa com eles, perante o olhar confuso do Comandante e de Serena Joy, sem saber o que lhe vai acontecer a seguir.

 

Poderá o seu testemunho ser importante para os eventos de Os Testamentos?

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