Revista ESTANTE Os livros mais esperados do verão (que já podes encomendar)
Por Blog FNAC ExpertEm 25/06/2020
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O Enigma do Quarto 622 marca o regresso de Joël Dicker aos thrillers. Neste livro, após a morte do seu editor, o escritor Joël Dicker decide ir de férias, mas descobre que, no hotel onde está hospedado, houve um assassinato. As férias vão dar lugar à investigação deste crime do passado, nunca resolvido. Em entrevista à FNAC, o autor fala sobre o novo livro e a sua paixão por escrever histórias.

Ele é principalmente uma personagem do livro.
Para mim, foi engraçado criá-lo, porque quando escrevi A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, muitas pessoas pensavam que o Markus Goldman [personagem principal do livro] era eu. E eu expliquei que não. O nome dele é Marcus e o meu é Joël Dicker. Não é a mesma pessoa.

Desta vez, decidi colocar o meu nome na personagem para ver que efeito isso teria nos leitores.
Não há nada de mim na história, porque é uma ficção. Há um assassinato. Não é a realidade.
Mas em alguns momentos, surge o meu editor, Bernard de Fallois, que realmente existiu [Fallois morreu em 2018]. Isso é real. Então, nesses pequenos momentos da história, sou eu. Mas no resto da história não sou eu. Uso esse nome, Joël, também na parte ficcional, porque acho que fazia mais sentido ter o mesmo nome para aquele que conta a história do Bernard e aquele que conta a história da parte da ficção.
Há uma parte sobre ele que é realmente real. É exatamente do jeito que ele era. E por isso é muito real.
Nesses momentos, a personagem Joël é sobre mim, porque estou com o Bernard naqueles diálogos. Então essa é a realidade. Mas toda a parte da investigação não sou eu.
Sim. Depois da morte dele em 2018, eu queria que fosse lembrado. Foi assim que decidi escrever sobre ele. E é a primeira vez que escrevo sobre alguém ou algo real para mim.
Mas eu tinha de fazer isto. Eu realmente queria partilhar o Bernard com os meus leitores.
Eu diria que foi o Bernard novamente. Porque eu não comecei com a parte da ficção. Eu realmente comecei a escrever sobre o Bernard.
Eu queria guardar muitas das memórias que eu tinha dele. Queria escrevê-las. E foi o que eu fiz. Depois pensei que deveria escrever sobre ele para que os meus leitores pudessem conhecê-lo. E comecei a fazê-lo.
Enquanto isso, pensei que precisava de algo mais. E porque o Bernard gostava muito de romances e literatura, achei que deveria inserir essas memórias numa aventura ficcional. E essas duas partes juntas, para mim, seriam a melhor forma de lembrar o Bernard.
Acho que um crime é uma boa maneira de unir as personagens.
Este livro é sobre amor, é sobre pessoas diferentes e é sobre relações. Todas as personagens têm a sua própria história pessoal e background. E para mim, um assassinato é algo comum a todos.
Quando construímos uma casa, temos a pedra e, em seguida, colocamos o cimento para manter as pedras juntas. O crime é o cimento da história, porque é o que reunirá todas as personagens no livro.
“O crime é o cimento da história, porque é o que reunirá todas as personagens no livro.”
Ambos. Verbier, nos Alpes, é mais ficcional.
Mas Genebra, é a cidade onde moro e onde cresci. É a minha cidade. Havia uma espécie de dificuldade para mim de descrever Genebra, porque no início eu não queria descrever Genebra sobre os factos, dizendo concretamente como são os lagos, os prédios e as ruas. Eu realmente queria ser capaz de descrever os meus sentimentos. E então é mais inspirado nas emoções, no que sinto quando estou em Genebra, no que sinto quando vejo as ruas, quando vejo esses prédios, essa arquitetura muito particular em Genebra.
A experiência da escola de Teatro fez-me perceber que eu realmente não queria ser ator. Eu estava lá, porque tinha a sensação de que era o meu sonho. Mas depois percebi que não sentia vontade de querer esforçar-me muito ou tanto quanto o resto das pessoas. Eu tinha colegas que ficavam a trabalhar no texto durante imensas horas e isso fez-me perceber que eu não tinha essa vontade.
Por Blog FNAC ExpertEm 11/04/2019
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